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Ainda sem saída

quinta-feira, 20 de abril 2017

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Dia após dia, as lideranças políticas tradicionais, até pouco tempo acreditadas no País, vão se decompondo diante do avanço das investigações e denúncias da Lava Jato. Mesmo havendo sinais e possiblidades positivas na área econômica e que, apesar das tensões, observe-se avanços nas reformas em tramitação no Congresso Nacional, a crise política e moral do País se mantêm como uma realidade constrangedora.
Ainda não sabemos como sair desse imbróglio. A sedutora proposta da convocação de uma Constituinte exclusiva, tem também suas nuances. Sem quadros públicos visíveis e diante de uma sociedade absolutamente sem uma representação acreditável, quem lideraria esse debate? Os “mercados”? Os agentes econômicos? Líderes emergentes que se qualificam como “não-políticos”? O que resta desse sindicalismo corrompido, degradado e incapaz? A academia, hoje, cega, covarde, despreparada, prisioneira de mitos e crenças ideológicas? Essa estrutura político-partidária rude, grosseira, delinquente, inimiga da Nação e do País?

Esse cenário inibe um pouco a ideia da convocação de uma Constituinte exclusiva capaz de refazer o Estado brasileiro. Por enquanto, está prevalecendo a tese das mudanças mitigadas até 2018. Temer se mantêm no Governo, apesar de fragilizado moralmente. A estrutura partidária seria a mesma e, a tão festejada reforma política se limitaria a inibir coligações, a cláusula de barreira e a definição da forma de financiamento da campanha de 2018. O novo governo e o novo Congresso iniciariam o debate para a reforma necessária do Estado brasileiro, incluindo uma ampla e profunda reforma política.
A tese é boa. O cronograma é prudente. O problema é que a estrutura política vigente implodiu. Há parlamentares respeitáveis no Congresso. Poucos, bem poucos, mas há! O problema é que as máquinas partidárias estão sendo dirigidas por bandidos e assaltantes do dinheiro público. Delinquentes que tudo farão para se manter no Congresso e no Poder. Impossível entregar a essa gente tarefa tão nobre e desafiadora!
Homens prudentes e maduros como Fernando Henrique Cardoso e empresários importantes como Roberto Setúbal ( Bando Itaú) acreditam nesse caminho mais seguro do diálogo, da construção da harmonia dentro da divergência e das mudanças sem sobressaltos. O problema é a inquietude crescente da Nação ao lado dos avanços necessários das investigações da Lava-Jato, mesmo sabendo que a paz construídas pelos gestos e palavras será sempre melhor do que a violência.

Jorge Henrique Cartaxo
Jornalista

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