sábado, 20 de outubro de 2018.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

"você jamais será livre sem uma imprensa livre." - Venelouis Xavier Pereira

Algo permanece no ar

FRANCISCO HABERMANN MÉDICO E PROFESSOR

quarta-feira, 13 de junho 2018

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Énítida a percepção de que há algo pairando ainda no ar além do vital oxigênio. Refiro-me às sensações ligadas ao nosso comportamento e não aos componentes gasosos da atmosfera. São sentimentos intrigantes, aqueles que geram expectativas nos seres viventes. Parece que circulam no ar, estão em toda parte, qual poeira fina em tempo seco e frio. Percorrem nossa alma e são persistentes.
Não arrisco hipóteses descabidas, mas há algo, sim, no ambiente nacional, algo que desconfio seja o inicio de nova era. Um tempo de maior responsabilidade e que exige atitudes decisivas, não mais ‘jeitinhos’ tão a nosso gosto. Novos tempos estão escancarados à nossa frente pedindo adesão.
Embarco na ideia que aprendi lá em casa que é o tríduo basal da vida honesta: ética, moral e caráter. Tão necessário hoje quanto sempre. Mas, como está difícil ver e sentir essas qualidades entre nós, não? Mesmo nas crises agudas como a que estamos passando. Não desanimemos, entretanto.
Por tudo o que já vivemos nesTe país, considerado o Coração do Mundo – pelas características de nosso povo – o fato de enfrentar crises emergenciais surpreendeu-nos a todos, induzindo um clima persistente de incertezas. Algo que deveríamos – como coletividade civilizada – aprender a evitar suas causas ou, então, prevenir, treinar antecipadamente os caminhos alternativos, amenizando consequências.
Japão e Suécia, além de outros povos organizados, fazem isso de rotina. Treinam a população para urgências inevitáveis, em geral, por eventos súbitos e incontroláveis da natureza. Aqui, não temos essa tradição e, felizmente, nem aquelas catástrofes naturais. Mas, temos outras produzidas por nós mesmos.
A vida do brasileiro é enganosamente tida como tranquila, mesmo diante das maiores dificuldades pessoais ou coletivas; o país é claramente rico de recursos, mesmo quando o povo transita na dificuldade ou na miséria; nossa consciência não inclui o próximo, mesmo quando implora ajuda. Constata-se entre nós um panorama contrastante e que precisa mudar.
Tem-se a impressão – hoje – que algo haverá de acontecer para nos acordar. Não dá mais para permanecermos deitados eternamente em berço esplêndido, claro.
Aquele algo que sentimos no ar está a nos dizer da urgência em renovarmo-nos. Renovar-nos para mudar com ética, moral e caráter. É a nossa esperança.
O Brasil se transformará.

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