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Ano novo, governo novo

JOSÉ MARIA PHILOMENO ECONOMISTA

quarta-feira, 02 de janeiro 2019

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Já investido no cargo desde ontem, mediante o maior esquema de segurança já montado para uma posse presidencial, o agora presidente Jair Bolsonaro, tem, a partir de hoje, que deslindar para o Brasil e o mundo como será de fato o governo mais carregado de expectativas e incertezas na história recente do País.

O respaldo popular do em torno de 75% (segunda recente pesquisa do Datafolha) que demonstram estarem confiantes que o Brasil melhorará sobre o comando de Bolsonaro, se contrapõe aos muitos – que mesmo simpatizantes de suas ideias – são incrédulos no sucesso de seu governo.

Sentimento este instado pela percepção da preocupante falta de harmonia nas concepções dos distintos grupos de poder que compõe seu governo, e, principalmente, nas dificuldades de interação com o Congresso, a partir de um gabinete que fora montado sem se fazer valer da cooptação de partidos políticos.

Ressalvados estes obstáculos, Bolsonaro sabe que terá que apresentar resultados rapidamente, pois o tamanho das expectativas que sobre o mesmo recaem será o mesmo da verocidade em que será cobrado.

No meu entender são três os principais desígnios que terá de perseguir, sendo o principal a retomada em níveis pujantes e consistentes da atividade econômica – o que não ocorrerá por simples osmose derivada da mudança de governo.
Para tal será imprescindível, segundo a maioria dos analistas econômicos, a aprovação das reformas previdenciária, administrativa e tributária, e de uma política agressiva de privatizações. Projetos estes que não são pacíficos dentro do núcleo de governo e sequer o próprio presidente já externou uma posição clara a respeito – o que alimenta ainda mais as incertezas.

Os demais pontos a serem objetivados são o fortalecimento da Segurança Pública e o combate à criminalidade e à corrupção. Bolsonaro tornou-se conhecido nacionalmente por defender uma política de tolerância zero com os criminosos. Da mesma forma afirmou peremptoriamente que era o único candidato realmente comprometido com a Lava Jato, pois não fazia parte do “sistema” político corrompido.

A nomeação do reverenciado ex-juiz Sérgio Moro, como plenipotencializado ministro da Justiça, foi uma tacada de mestre, impulsionando as expectativas positivas. Contudo, para alcançarem resultados práticos e perceptíveis pela sociedade, será indispensável, além do aperfeiçoamento da gestão, a aprovação das diversas das medidas prometidas, como por exemplo: reduzir a maioridade penal; endurecer as penas previstas no Código Penal; restringir o regime de progressão de pena, e etc.

Assim como o conjunto de propostas de combate à corrupção formuladas pela força-tarefa da Lava Jato, que Sérgio Moro tem como sua maior prioridade à frente do ministério.

Terá Bolsonaro, pelo seu perfil e personalidade, habilidade e capacidade de articulação política para levar adiante estas reformas? É o que começaremos a saber.

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