domingo, 16 de dezembro de 2018.
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Apelidos da História

INOCÊNCIO NÓBREGA JORNALISTA

sexta-feira, 10 de agosto 2018

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Apelidos são recursos que famílias e comunidades usam, para, de uma forma mais carinhosa de tratamento, melhor se interagirem entre semelhantes mais próximos, sempre abdicando de seus prenomes, batismais ou de registro civil. A partir daí nasce o cidadão. Dos mais variados aos hilariantes que constroem, se aproveitam a fim de postularem cargos eletivos, assim montando sua popularidade diante do eleitorado. São milhares deles que deixam registrados na Justiça Eleitoral, visando converter o eleitor a seus propósitos. Apanhei alguns desses epítetos, apenas como exemplos, todavia evitando declinar o titular, precedendo-os por reticências: (…) da Barraca; (…) da Droga; (…) da Batata, (…) da Semente, Todinho, etc.

Trago, dois nomes, espontaneamente, escolhidos pelo povo, levando-os, eleitoralmente, aos mais altos cargos de seus respectivos países: Mandiba, na África do Sul, e Lula, no Brasil. Referindo-me ao primeiro, Nelson Mandela, o mesmo Rolinlahla, que em africano significa “causador de problemas”. Nascido em terras sul-africanas, um dos membros da tribo Xhosa, onde 78% da população é constituída de negros, separada em nove grupos tribais. Essa divisão é estratégica, preconizada pelos colonizadores britânicos, de minoria absoluta.

Tais europeus, desde o início se distinguiram dos independencistas, fazendo gerar a Guerra dos Boêres, de 1899/1902, tornando-se o embrião do “apartheid” (separação), de efeitos racistas. Esse é sistema político dessa nação, rejeitada pela própria comunidade do Continente. A reação interna contra o governo segregacionista ganha corpo mundialmente, em razão do massacre de Shaperwille (1960), ocasionando a morte de 69 manifestantes. O ativista Mandiba, de 46 anos, um dos líderes maiores do movimento negro, é acusado de ações terroristas, sendo condenado à prisão perpétua.

Não haveria pacificação política do país enquanto o futuro herói da paz não fosse solto. Negociou-se um modelo multirracial, para conduzir os destinos da África do Sul. De cabelos grisalhos, numa tarde de 1990, deixa o presídio, após negociada a transição política. Nas primeiras eleições presidenciais passa a ser o presidente Mandiba. Ele nos visitou em 1998, quando nos deixa essa mensagem de heroísmo, de vulto popular, que tanto incomoda as classes dominantes e poderes constituídos. Dia 18 de julho completaria seus cem anos de existência.

Está muito bem representado, em masmorra curitibana, pura imagem do povão, vultos que se confundem. A ausência, judiciada, nos palanques e praças públicas brasileiras, do presidenciável Lula, sem dúvida comprometerá a plenitude democrática e a paz social. Disso, a Justiça sabe.

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