domingo, 18 de novembro de 2018.
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Arder em chamas

Grecianny Cordeiro - Promotora de Justiça

segunda-feira, 10 de setembro 2018

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AHistória do Brasil é repleta de histórias de espoliações.
Essa frase pode soar tão redundante quanto constantes foram as espoliações sofridas pelo Brasil: quando da descoberta pelos portugueses, das incursões dos franceses e dos ingleses no litoral, das invasões holandesas, em busca de nossas riquezas.

E não foi diferente quando do Brasil-Colônia, Brasil-Império e Brasil-República.
Os livros estão aí para relatar as “conquistas” dos portugueses, os “desbravadores” bandeirantes, os traficantes de escravos, os caçadores de diamantes, embora de uma forma quase romântica, afinal, não esqueçamos que a História é sempre contada pelos vencedores, portanto, para bem longe das versões dos índios escravizados, dos negros traficados.

O Brasil de hoje, com todos os seus problemas, que tanto desalento e desesperança trazem ao povo, nada mais é do que a soma de todas essas espoliações e, nos tempos modernos, o escambo deu lugar à propina; o pau-brasil, o ouro e o diamante deram lugar aos milhões de reais em malas e aos milhões de dólares em contas na Suíça.

Talvez daí o reinante descaso dos governantes com a coisa pública, com o patrimônio nacional e sua riqueza cultural, científica, antropológica. Some-se a isso a arraigada apatia do povo brasileiro.
O incêndio ocorrido no Museu Nacional é o resultado desse descaso e apatia.

O belo prédio, inaugurado por D. João VI, em 1818, que serviu de residência para a família imperial, o local em que Dom Pedro II reinou e que Dona Leopoldina assinou o Decreto de Independência, o espaço destinado a elaborar a primeira Constituição Império, antes do fatídico incêndio, nada mais era que uma construção caindo aos pedaços, sem qualquer segurança, se mantendo às custas de uma minguada verba, porém, guardava um tesouro imensurável: a História de um país.

Em frente ao Museu Nacional havia a seguinte inscrição:
“Todos que por aqui passem, protejam esta laje, pois ela guarda um documento que revela a cultura de uma geração e um marco na História de um povo que soube construir seu próprio futuro.”
Todos os que por ali passaram, não protegeram o museu e os registros de nossa cultura e da história de nosso povo foram consumidos pelas cinzas. Não cuidamos do passado, estamos destruindo o presente e, por isso mesmo, o futuro nos parece nada promissor.

O Brasil arde nas chamas da incompetência e da corrupção de seus gestores, do passado, do presente e, quiçá, do futuro.

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