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Arte e vida

LUIZ CARLOS AMORIM ESCRITOR

terça-feira, 09 de Janeiro 2018

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Oensino, infelizmente, está cada vez mais deteriorado, não pelos professores, esses heróis dedicados e abnegados, que fazem das tripas coração para não deixar a Educação falir de vez. Nós, cidadãos, precisamos lutar por um ensino melhor, pois o próprio poder público se encarrega de piorá-lo, ao invés de resgatá-lo, com modificações que só prejudicam, falta mais qualificação e remuneração decente aos professores, falta de manutenção e equipamento para as escolas públicas.

Ensinar literatura nas escolas, no ensino fundamental, implica levar o aluno a ter o prazer de ler – não significa obrigá-lo a ler. Se ali não conseguirmos incutir-lhes o gosto pela leitura, o problema será muito maior quando estiverem no ensino médio: lerão, quando muito – e por obrigação – apenas resumos e orelhas dos livros.

A literatura é o registro da realidade, de costumes, espaço e tempo de um povo, ainda que visto por ângulos diferentes e aí reside a sua riqueza. Ela sempre estará associada à alguma realidade: são realidades verdadeiras, realidades possíveis ou apenas imagináveis, dependendo do que o leitor conseguir recriar.

Porque sabemos que a obra literária existe enquanto lida, enquanto está sendo recriada pelo leitor. E cada leitor pode recriá-la com nuances diferentes, pessoais. Essa é a característica mais marcante da literatura ficcional. A emoção do autor, ao produzir seu texto, não será, necessariamente, a mesma do leitor ao recriá-la.

Então, a leitura nos provoca emoções, nos dá referência, faz-nos refletir, pode mudar nossa maneira de pensar e até de agir. Ela é viagem pelo desconhecido, é aquisição de conhecimento, é aprendizado e exercício de criatividade, é experiência adquirida. Isso é literatura e é isso que os nossos leitores, em formação, precisam, ir buscar nas páginas de um livro. Ou de vários. O ensino da literatura dividindo-a em “escolas”, acaba fazendo-a parecer, para o estudante, uma coisa velha, ultrapassada, sem utilidade imediata. Faz a produção literária parecer algo que é feito a partir de receitas, como se fosse um bolo, sem originalidade, sem criatividade.

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