sábado, 13 de outubro de 2018.
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As castas brasileiras

ROSSANA BRASIL KOPF ADVOGADA PSICANALISTA

segunda-feira, 17 de setembro 2018

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Esse sistema trata as pessoas de modo diferente, como se o fato dela ter nascido em uma determinada casta fosse o suficiente para definir o seu futuro.
Nesse sistema tem os intocáveis, que não podem ser tocados para que não amaldiçoem aos demais. Muitos de nós vemos isso como algo completamente sem nexo, para não dizer ridículo. Não conseguimos imaginar isso, uma pessoa sendo tratada de um modo tão cruel, simplesmente por ela ter nascido segundo uma convenção criada pelos humanos que o antecederam.

Mas, será que nós não aceitamos as castas? Será que não só aceitamos, mas como concordamos com elas? Eu creio que a resposta a estas perguntas é: sim, aceitamos, concordamos e até incentivamos a perpetuá-las.
Mas não me refiro às castas indianas, mas a outras, que podem não ser tão explícitas quanto as deles, mas, certamente, nos afetam. Há um tempo, certo presidente viajou a um determinado país, onde um jornalista atirou um sapato em sua direção. Resultado: o jornalista foi preso, dois anos de xilindró. E sem acertar, ou seja, não provocou nenhum ferimento. E quando vi isso, fiquei pensando. Se alguém tentasse atirar um sapato em mim (ou você) e não acertasse. Eu (ou você) ligaria para a Polícia e informaria que alguém tentou atirar um sapato em mim (ou você), porém errou, e por causa disso, o cara deveria ser preso. Somente consigo imaginar os policiais rindo e dizendo que têm coisas mais importantes para fazer na vida que se preocupar com algo que nem ocorrer ocorreu.

Quantas vezes já vi casos de pessoas ameaçadas de morte, que procuram a Polícia para pedir proteção e eles alegam que nada podem fazer, pois não houve crime. Então a pessoa é morta, e aí a Polícia investiga, para tentar prender o assassino. Já viram isso alguma vez? Vejam os casos de violência doméstica, mulheres são violentadas e mortas por esses machistas sem noção.

E é isso que não entendo. Por que, para a maioria dos cidadãos, tal fato seria tratado até com deboche ou descaso e para outro cidadão (que garanto, também vai ao banheiro e produz adubo orgânico) é todo um tratamento diferenciado? Será que ele é de uma casta superior? A dos deuses personificados? E a Constituição não fala que todos são iguais perante a lei? Ou será que na Constituição tem os famosos asteriscos, onde constam as perigosas exceções?

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