quinta-feira, 21 de junho de 2018.
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As más lembranças da Copa

JOSÉ MARIA PHILOMENO ECONOMISTA

quarta-feira, 13 de junho 2018

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Amanha, 14, dar-se-á o pontapé inicial do maior evento esportista do planeta: a Copa do Mundo de Futebol que, neste ano, será disputada na Rússia. Além de atrair a atenção e entusiasmo de bilhões de torcedores do esporte mais popular do mundo, a Copa, realizada a cada quatro anos, representa – tanto para o país que a sedia como para as demais nações participantes, e a empresas e corporações globais-, significativas oportunidades econômicas e mercadológicas. Que, se bem aproveitadas, podem deixar legados duradouros na infraestrutura, nos negócios e na boa imagem do País no exterior.
Lamentavelmente, para nós brasileiros, este momento só nos faz lembrar o quanto a Copa passada nos foi traumática. Tanto em face da frustração em relação à enorme expectativa dos 200 milhões de brasileiros que sonhavam em vibrar e ver o Brasil levantar o ‘caneco’ jogando em casa, mas que, por fim, tiveram que amargar as vexatórias derrotas por 7 a 1, e 3 a 0 para a Alemanha e Holanda, respectivamente.
Como, também, pela constatação de que as promessas dos governantes de então, de que a Copa nos encheria de orgulho e deixaria incontáveis legados em estádios ‘padrão FIFA’, na modernização da mobilidade urbana, das comunicações e da acessibilidade digital (chegou-se a cogitar wi-fi universal e gratuito nas cidades sedes), etc. Se traduziram, de fato, em centenas de bilhões de reais em recursos públicos desviados em obras superfaturadas e inacabadas. Com quase todos os estádios construídos ou reformados, transformados em verdadeiros elefantes brancos ociosos, a consumirem mensalmente milhões do erário.
Sem contar as centenas de bilhões em prejuízos suportadas pela indústria, comércio e pelos fiscos, além da interrupção da prestação de serviços públicos básicos, em razão da farra de feriados decretados durante a Copa. Muitas cidades, como a nossa Fortaleza, chegaram ao cúmulo de instituir feriados gerais simplesmente para aliviar a tráfego de veículos aos estádios.
Fatos que envergonharam a reputação do País mundo a fora, além de contribuir em demasia com a degradação das finanças do Tesouro Nacional. Corroborando, assim, em demasia com a grave recessão que em seguida acometeu a economia nacional.
A Copa de 2014, portanto, é uma lição a ser aprendida. De que não se pode ‘farrear’ com o dinheiro público. E, de que não é promovendo ‘festas globais’ que se estará construindo uma imagem positiva do País, e muito menos se elevando, desta maneira, a autoestima de nosso povo.

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