terça-feira, 17 de setembro de 2019.
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Carta a Michelle Bachelet

HENRIQUE MATTHIESEN BACHAREL EM DIREITO E JORNALISTA

segunda-feira, 09 de setembro 2019

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“Asolidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana.”
Excelentíssima Senhora Alta Comissária dos Direitos Humanos da ONU e ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet:
Dentro dos princípios civilizatórios, que boa parte do povo brasileiro possui, as declarações grosseiras e repugnantes do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, sobre a senhora e seu pai causou-nos vergonha e ultraje por esta lamentável atitude de um chefe de Estado.
Infelizmente, a sociedade brasileira – por meio democrático – coexiste com um dos momentos mais deletérios de nossa História. Repetimos, inadvertidamente, os erros cometidos pelos italianos na década de 1920 e os alemães na década de 1930.
Digo isso devido à mentalidade enferma, preconceituosa e deformada de que, a cada declaração que o chefe de Estado do Brasil profere, atenta os princípios basilares do bom senso e da civilidade.
A ascensão desta figura grotesca, caricata e bufônica é resultado do alto grau de polarização e patologia que acometeu a sociedade brasileira nos últimos anos, como também é o ensejo dos erros táticos e estratégicos das forças progressistas no Brasil.
A repulsa política propagada incessantemente pelo monopólio midiático, associada a uma turma de moralistas sem moral, sitiada na denominada “República de Curitiba”, e a ineficiência e inabilidade das forças progressistas em responder aos clamores populares foram as condições basilares para o surgimento desta figura tosca como o atual presidente.
Não tivemos o amadurecimento que os uruguaios tiveram na constituição da Frente Ampla; nem conseguimos ter a grandeza que Cristina Kirchner teve na Argentina; mas tivemos o desprendimento e a nobreza de Leonel Brizola, em 1998.
Entretanto, para consternação geral, o linguajar abjeto e desprezível contido nas declarações grosseiras do presidente, não é mero espasmo inadvertido. É, de fato, a mentalidade e a concepção dele e de boa parte do seu governo.
A bajulação e a congratulação aos tiranos ditadores, como no caso de Augusto Pinochet, Carlos Alberto Brilhante Ustra, entre outros criminosos, revela de forma contundente o processo de retrocesso civilizatório no qual o Brasil caminha.
Adorador de torturadores e bandidos, inábil e truanesco no exercício da presidência faz da agressão palanque para seus seguidores tão enfermos como tal.
Neste sentido, o mundo que não compactua com a barbárie, com o bestial, com o primitivo solidariza-se aos bravos chilenos que resistiram e doaram suas vidas contra a tirania do facínora, Augusto Pinochet, como também aos que continuam a sonhar e trabalhar por uma sociedade mais justa para que não se reproduzam mais mentalidades tão doentes como do presidente do Brasil.

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