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Cartão verde

quarta-feira, 19 de abril 2017

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Sempre parti do pressuposto de que o esporte não precisa ser justo. O que deveria ser justo, mas está bem longe de ser é a vida. Os direitos entre homens e mulheres, homossexuais e heterossexuais, negros e brancos, mais novos e mais velhos, ricos e pobres.
O futebol pra mim sempre foi lazer, diversão, imprevisibilidade. Essa palavra tirei de alguma entrevista do Tite. Confesso que também botei no Google para confirmar se ela existia. E existe. Só não é muito comum. Assim como também não foi nada comum a atitude do zagueiro do São Paulo, Rodrigo Caio.

Para quem não acompanha muito o esporte, vou contextualizar o que aconteceu no último domingo, 16 de maio, na disputa da semifinal do Campeonato Paulista, entre São Paulo e Corinthians. O árbitro da partida deu um cartão amarelo injusto para o atacante Jô, do Corinthians, após um suposto pisão no goleiro do são-paulino. Na mesma hora, Rodrigo Caio chamou o juiz, assumiu a “culpa” e disse que pisou no goleiro. E não na bola. O juiz voltou atrás e anulou o cartão do seu rival.
Após a atitude do jogador, foi levantada uma série de discussões sobre ética. Ética no esporte, no ambiente de trabalho e na vida. Como se uma coisa fosse separada da outra. O mais irônico foi ver as mesmas pessoas que furam filas em bancos, estacionam em vaga de idoso, não respeitam às leis de trânsito aplaudindo a atitude do atleta.

Rodrigo Caio mostrou que mais importante do que falar é fazer. Uma jogada de craque do jovem zagueiro São Paulino que chamou mais atenção do que todos os gols da rodada. Uma atitude que prova que não adianta vencer a todo custo. E para ter o espírito de vencedor, não precisa ser injusto, tentar tirar proveito de todas as formas, sejam legais ou ilegais. Não precisa de nenhuma enganação, gol de mão, simulação de faltas e várias outras artimanhas que vemos em todas as partidas e futebol. Vejo inúmeros atletas mais focados em enganar os juízes do que em jogar futebol. Alguns têm potencial de sobra para virar protagonista de novela das 20.

Mas tenho certeza que a maioria desses jogadores engana os juízes, os torcedores, os comentaristas, só não conseguem driblar o travesseiro quando deitam para dormir. Aprendi muito com essa atitude do zagueiro e, hoje, tenho maturidade para admitir: o mundo precisa de mais Rodrigos Caios. E menos de mim. Obrigado, Rodrigo Caio. Sua atitude substitui um cartão amarelo por um verde. Verde da esperança de um mundo melhor.

Emmanuel Brandão
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