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Catalunha: economia vai prevalecer

quarta-feira, 11 de outubro 2017

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O atual movimento que visa a proclamação da independência da região da Catalunha como uma república soberana, que afervorou-se após o referendo realizado em 1º de outubro último, no qual a esmagadora maioria de mais de 90% votaram sim – pela separação da Espanha-, tem, em seus ânimos, claramente um forte e histórico sentimento emancipacionista e nacionalista, de uma população identificada como uma nação que possui identidade, cultura e idioma próprio, o catalão (uma língua evoluída a partir do latim e que possui poucas semelhanças com o espanhol), e que há quase mil anos luta por sua libertação. Mas, também, há fortes elementos econômicos considerados tanto pelos que lutam em pró, quanto contra a apartação.

Ainda recuperando-se dos efeitos da profunda crise que devastou diversas economias europeias – dentre as quais a espanhola, que amarga índices de desemprego próximos a 20% -, a possibilidade de perder a Catalunha seria arrasador para a Espanha. A região, que detém 16% da população espanhola, é a mais industrializada da Espanha – lar de indústrias de ponta e centros de pesquisa importantes-, é, ainda, o principal destino turístico ibérico, sendo responsável por 21% do Produto Interno Bruto (PIB) e por um quarto das exportações do País.

Daí, pela economia, além da questão de manutenção da integridade territorial e nacional, que o governo central em Madrid tem empreendido todos os esforços para reprimir o movimento separacionista. Utilizando-se, inclusive, de intimidações a empresas que tenham sede na Catalunha. E, nesta esteira, temendo retaliações tanto espanholas quanto da União Europeia, que duas das principais instituições financeiras do País, o CaixaBank e o Banco Sabadell, anunciaram que retirarão suas sedes de Barcelona. Iniciativa que tem sido seriamente cogitada por diversos outros grupos econômicos. O que representa um duro golpe nos defensores da independência catalã.

Sem contar que as agências de classificação de risco financeiro, Fitch e Standard & Poor’s ameaçam degradar o “rating” da região, caso a independência se concretize.
Os prognósticos de que todos estes efeitos da separação devem levar no curto prazo a uma onda de evasão de renda e divisas e à drástica elevação do desemprego na Catalunha tem sido um pesadelo para a população local. O que certamente será um fator preponderante para o deslinde final desta empreitada. Aos poucos a ficha das incertezas do ‘dia seguinte’ começam a cair. Fazendo-se a todos crer na lógica de que mais vale preservar a prosperidade e a estabilidade econômica que aventurar-se no sonho de um escudo no peito, uma bandeira no mastro e um hino a cantar.

José Maria Philomeno
Economista

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