sábado, 24 de agosto de 2019.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

"você jamais será livre sem uma imprensa livre." - Venelouis Xavier Pereira

Churrasco australiano

EMMANUEL BRANDÃO PUBLICITÁRIO E ESCRITOR

quinta-feira, 13 de junho 2019

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Hoje separei meu espaço para contar uma história de um amigo. Júnior é o nome dele, uma pessoa que conheci no Colégio Marista Cearense e fiz questão de preservar essa amizade ao longo dos anos. Ele é um amigo daqueles que desejo ter sempre por perto. Um cara divertido pra conversar besteira, jogar futebol, sair para um barzinho e fazer um churrasco. Seu papo é leve e agradável.
E foi justamente em um churrasco que essa história aconteceu. Temos um amigo em comum, esse eu prefiro preservar o nome, que é metido a besta. Tudo seu é do bom e do melhor. Seu carro, suas roupas, suas viagens e, claro, a sua carne para o churrasco. Ainda bem que somos amigos dele e podemos aproveitar os seus luxos, são nossos lampejos de rico.
Chamamos ele para um churrasco entre amigos. Coisa simples, cada um levava sua bebida e um pedaço de carne. O objetivo era reunir a turma e rirmos das histórias do passado. Fazíamos isso com frequência e geralmente acontecia tudo conforme o planejado.
Dessa vez, o nosso amigo rico resolveu ir e, de quebra, chegou com um pedaço de picanha australiana. A peça era tão bonita que imediatamente todo mundo perdeu a concentração da bobagem que falávamos no momento. Foi tão constrangedor e perceptível que ele pensou que estávamos falando dele.
Após aquele minuto de silêncio, tudo voltou ao normal. Normal que eu quis dizer é falarmos as mesmas besteiras. Conversa vai, conversa vem até que chegou o momento mais esperado: a picanha australiana saiu da churrasqueira. Suculenta e macia como nenhuma outra carne que somos acostumados a comer. Essa diferença ficou ainda maior a cada pedaço que comíamos.
Nesse momento, todo mundo avançou na carne. Pra quê garfo? Todo mundo pegava com a mão mesmo. As duas. O dono da carne foi o que menos comeu, mas ele já estava acostumado. A gente, não. A carne australiana foi o sucesso do churrasco. Todo mundo falava dela, desculpe o trocadilho, com água na boca.
Semanas depois, meu amigo Júnior deu a ideia de fazermos outro churrasco. Óbvio que todo mundo adorou a ideia. Enquanto lia sua mensagem, era capaz de sentir o gosto da carne australiana que havíamos comido no último encontro. O Júnior, que também não é acostumado a comer a carne australiana, mandou uma mensagem para nosso amigo rico. Ou metido a rico. “Ei, traz a australiana pra gente comer”. Uma mensagem simples, direta e sem nenhuma maldade.
O problema foi que a esposa do nosso amigo rico viu a mensagem e criou umas associações bem malucas na sua cabeça. Ela só faltou agredir esse amigo, perguntando quem era essa bendita australiana que todo mundo queria comer. Nosso amigo não entendia nada e, quando finalmente entendeu, começou a rir. Quanto mais ele ria, mais sua esposa ficava com raiva. Só depois de muito tempo e muitas risadas e alguns hematomas no corpo, ele conseguiu explicar todo o mal-entendido.
Durante o churrasco, enquanto o casal contava essa história, todos riam. Menos eu que comia a deliciosa picanha australiana.

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