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A crise do Bolsonarismo!

GENÉSIO ARAÚJO JÚNIOR JORNALISTA

terça-feira, 10 de setembro 2019

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(Brasília-DF)
Asegunda semana de setembro, como já era esperado, se inicia cheia expectativa.
Era natural que assim se desse, pois o presidente da República, premido pelo calendário, tinha de decidir sobre os vetos à Lei de Abuso de Autoridade e teria de anunciar o seu indicado para Procuradoria-Geral da República (PGR).
A princípio, depois do que se viu com o Ministério da Justiça e na Polícia Federal, com as vontades presidenciais sendo postas, fica evidente que o Palácio do Planalto, com o chefe de Governo e Estado, impõe um duro golpe à cultura da Lava Jato.
A Polícia Federal e o Ministério Público ganharam, nos últimos anos, um poder à parte no Brasil, quase institucional, pois, com apoio de setores da Imprensa, usavam o argumento que toda ingerência política sobre os dois seria uma manobra para impedir que os poderosos prestassem conta com a lei!
O presidente Jair Bolsonaro está fazendo, do seu jeito, coisa que o PT e o MDB não conseguiram. Dois dos maiores e mais importantes partidos políticos do País não conseguiram impor algum tipo de restrição às duas forças do Executivo.
Bolsonaro, na prática, reconhece a força das revelações do site “The Intercept Brasil”, apesar de usar como pode a prisão do maior líder petista, expoente nacional, ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Teremos, nos próximos dias, diversos movimentos políticos e sociais em torno do Ministério Público, Polícia Federal e do Legislativo. Há muitas especulações nos meios políticos que o presidente Bolsonaro impôs vetos à Lei de Abuso de Autoridade de caráter institucional e que não irá quebrar lanças para mantê-los, pois já estabeleceu uma comunicação com os principais agentes políticos nos partidos de centro que patrocinaram a aprovação da nova Lei.
O Presidente, avalia-se, em face a nova cirúrgia, estará afastado oficialmente do posto até quinta-feira (12). Se a recuperação for de 10 dias, ele só poderá fazer suas performances à porta do Palácio Alvorada já perto de viajar para cumprir a missão tradicional de participar da sessão de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque que, oficialmente, se inicia no dia 17 e vai até 27 de setembro.
O Presidente deverá perder sua grande capacidade midiática para lidar com essas situações, a princípio.  Os políticos não deverão dificultar o novo PGR, mas deverão fazer o que quiserem com os vetos da nova Lei de Abuso. Alguns estão dizendo que vão medir o que é mais ajuizado para lidar, até porque alguns avaliam que diversos vetos serão respeitados.
Tudo isso vai se dar num momento em que o Governo Federal não esconde que não tem mais dinheiro e que os políticos vão ter mais poder ainda sobre o orçamento anual de 2020.
O chamado bolsonarismo vive um dos seus momentos mais críticos. O presidente da República, quando candidato, se aproveitou de um ambiente restritivo para a vida pública. Ele uniu vários interesses que, aparentemente, se resumiam à pauta anticorrupção, mas que, na verdade, é bem mais ampla. Existe um esgarçamento que unia todas as pautas. Ainda não se sabe o tamanho disso. Se a economia reagir, isso pode ser deixado de lado, mas, até o momento, não se vê muita coisa nesse sentido.
Esse setembro promete!

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