quarta-feira, 22 de agosto de 2018.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

"você jamais será livre sem uma imprensa livre." - Venelouis Xavier Pereira

Delírios delirantes

JORGE HENRIQUE CARTAXO JORNALISTA

quinta-feira, 08 de fevereiro 2018

Imprimir texto A- A+

No último domingo, no Estadão, o professor e cientista político Luiz Werneck Vianna emprestou seu reconhecido talento para acusações insólitas e defesas abomináveis. Surpreendentemente incomodado com as condenações de Curitiba e do Rio Grande do Sul contra os delinquentes que se apropriaram do poder depois da redemocratização do País, em 1984 – a saber: Lula, José Dirceu, Palocci, Sérgio Machado, Eduardo Cunha, Sérgio Cabral, Henrique Alves, Geddel Vieira Lima e catervas -, Werneck Viana nos brinda com esta pérola nas primeiras linhas do seu artigo “O Brasil não é isso”: “O que está nos faltando para adotarmos, ao som de fanfarras cívicas, a pena de morte como remédio para o combate a corrupção e os demais males que nos afligem? Já contamos com a condução sob ferros dos nossos prisioneiros, assim expostos publicamente nesse arremedo de pelourinho dos tempos da escravidão…”.

Indignado com o “sofrimento” de parte, até agora condenada, da nossa elite política medonha, o professor, de confessado credo marxista, ainda invoca virtudes raras do passado colocando no mesmo patamar dignidades de ontem com cafajestes públicos de hoje. “Por onde paira o espírito de um Sobral Pinto, que na defesa do líder comunista Luís Carlos Prestes, encarcerado em condições cruéis pelo regime fascista do Estado Novo, de 1937, invocou, em defesa do seu cliente, a lei protetora dos animais”.

Como o texto vai demonstrando, o desconforto maior de Vianna é com a cena de Cabral acorrentado, sendo transferido da prisão no Rio para o Paraná. Num delírio completo e ofensivo à memória e importância política de Prestes e Sobral Pinto, ele os traz para a cena de um ladrão, corrupto, psicopata como Sérgio Cabral, como se este tivesse a dignidade histórica daqueles! Cabral foi aluno querido de Vianna e deste mereceu laudatório artigo quando foi eleito governador do Rio pela primeira vez. Nada contra as preferências pessoais do professor. Mas tudo contra o descaso com a história e as circunstâncias.

Não satisfeito com o escarnio com à ética pública, Werneck Vianna prossegue clamando monumentos do passado na sua ira contra os juízes brasileiros que se alinham aos padrões de Justiça de Sérgio Moro. Assim, surgem Euclides da Cunha, Bonifácio de Andrade, Florestan Fernandes, Immanuel Wallerstein, Oliveira Vianna, Alexis de Tocqueville, todos citados para barrar o que Vianna chamou de “governo de juízes”. Contenha-se professor!

outros destaques >>

Facebook

Twitter