sábado, 17 de agosto de 2019.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

"você jamais será livre sem uma imprensa livre." - Venelouis Xavier Pereira

Demagogia com o choro alheio

quinta-feira, 03 de julho 2008

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O governador Cid Gomes anunciou a instalação de cerca de 250 câmeras em diversos pontos de Fortaleza e o cerco com grades do parque do Cocó. As medidas pretendem facilitar o trabalho da polícia e reprimir a ação de criminosos, especialmente nas vizinhanças daquele parque, tristemente famoso por servir de esconderijo para bandidos que aproveitam o sinal fechado para assaltar os motoristas. Como não poderia deixar de ser, vozes do marxismo local se ergueram para denunciar a carga “elitista” das medidas.

Esquerdistas analisando segurança pública transitam entre o humor involuntário e a alienação revoltante. Um deles declarou que as câmeras seriam instaladas perto das residências da “elite” da cidade, evidenciando a inspiração preconceituosa do projeto. Seguindo o raciocínio do especialista, parece que aconteceu o seguinte: essa “elite” – entidade maligna – traçou um plano de segurança classista indicando as coordenadas da residência de cada integrante do tenebroso grupo, plano esse que ganhou as bênçãos de Cid Gomes. É desnecessário dizer que a trama não faz sentido. Mas é exatamente esse tipo de abordagem mitológica que garante o status de especialista em segurança pública entre a nossa intelectualidade.
É importante destacar que esse discurso é geralmente proferido por pessoas que tiveram a sorte de não ser alvo de criminosos. Enquanto pais perdem os filhos e filhos viram órfãos, esses especialistas seguem denunciando o que consideram a barbárie da repressão policial. A culpa é da sociedade, eles dizem. As vítimas do sistema não têm opção a não ser partir para o roubo e o assassinato. O que essa gente cheia de consciência crítica faz é tratar como seres inanimados indivíduos que podem fazer escolhas. Nossos amigos especialistas estão dispostos a relativizar o valor da vida quando os supostos vilões se encaixam na retórica marxista: a sociedade de consumo, a ditadura do capital, a indiferença das classes dominantes, os shoppings, blá-blá-blá.
Confesso que, ao deparar com argumentos nessa linha, sempre imagino os especialistas na mira do revólver de alguma vítima da sociedade. Como eles reagiriam? Imaginem os especialistas perdendo os próprios filhos por causa de tiros disparados durante o sinal vermelho. O que eles diriam? Imaginem os especialistas tendo suas próprias casas invadidas. Os bandidos seriam recebidos de braços abertos? O especialista aceitaria a morte de um familiar com a desculpa de que o assassino, coitado, foi forçado a agir sob a influência de sei lá o quê? Deve ser bom brincar de teórico da exclusão quando são os outros que choram. www.brunopontes.blogspot.com

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