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Depois do fel, seria esse o mel?

GRECIANNY CORDEIRO - PROMOTORA DE JUSTIÇA

segunda-feira, 13 de novembro 2017

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Depois de entregar generosas doses de fel ao povo brasileiro, os parlamentares pensam que, agora, estão entregando o mel.
Ledo engado.

Depois de fazerem passar a malfadada reforma trabalhista, de aprovarem a ridícula reforma política e tantas outras leis que beneficiam os amigos do rei, marcadas com o carimbo do oportunismo, isso sem contar com as patéticas votações das denúncias ofertadas pelo procurador-geral da República contra o presidente da República, o parlamento nacional tenta fazer crer ser chegada a hora de legislar sobre questões prementes, a exemplo da segurança pública, as propostas da denominada “bancada da bala”.

A violência está fora de controle. A criminalidade cresce de forma assustadora.
E o Legislativo passou a sentir na obrigação de fazer algo, então vejamos:
1)Tornar hediondo o porte ilegal de arma de uso restrito.

Como se os fuzis e as metralhadoras que chegassem às mãos dos bandidos surgissem do nada, não de organizações criminosas nacionais e transnacionais, inclusive com infiltração nas Forças Armadas.

2)Restringir a saída temporária para aqueles que cumprem pena no regime semiaberto, em especial, para os condenados por crime hediondo.
Como se o sistema prisional tivesse como abrigar tantos presos condenados e provisórios, a ponto de o STF determinar que aqueles que cumprem pena em regime semiaberto, por falta de estabelecimentos adequados, devam cumpri-la em prisão domiciliar, e como se houvesse tornozeleira eletrônica para uma clientela tão vasta.

Como se o preso precisasse sair do estabelecimento prisional para praticar crimes.
3)Veda a progressão de regime para aqueles acusados de matar policiais.
Como se num sistema prisional superlotado houvesse como manter apenados em regime integralmente fechado e como se o Estado ali tivesse qualquer controle.

E por aí vai o chamado pacote da segurança pública, o mel na boca do povo brasileiro para atenuar sua descrença e revolta com um Legislativo inoperante.

Reduzir a criminalidade?
Por que não cuidar do assunto na fonte? Por que não cuidar da educação, da segurança pública, da saúde? Por que não criminalizar os criminosos que mais causam danos ao País e ao povo, os de “colarinho branco”? Por que não instrumentalizar os órgãos de segurança para que possam fazer investigações com base em inteligência e não meros testemunhos? Por que não acabar com o foro privilegiado?
Até mesmo o mel tem gosto amargo.

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