quarta-feira, 17 de julho de 2019.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

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A destruição da dignidade

JOSÉ G. MONTEIRO ADVOGADO

quinta-feira, 11 de julho 2019

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Quem se der ao trabalho de adentrar nas periferias das cidades e conhecê-las com mais vagar, vivenciando a forma sofrida das comunidades ali residentes, suas pobreza e sofrimento, poderão aquilatar o grau de miséria decorrente da agudeza do problema social do povo brasileiro, com muitos cidadãos sem emprego e vitimados, juntamente com suas famílias, pela fome que enfraquece o corpo e a alma, destruindo a dignidade humana.

Nasci e vivi no epicentro de semiárido cearense. Tive a experiência de conviver e participar de comunidades atingidas pelo flagelo que assola aqueles sem condições de uma boa moradia ou de comida bastante a saciar sua fome: palcos de um quadro dantesco e indescritível que teima em assolar nossa nação. Aliás, quem fala de fome sem nunca tê-la sentido não tem a dimensão de seus efeitos. A fome é cruel, fede e esmorece a criatura.

Essas premissas surgem a propósito de uma análise perfunctória sobre a situação nacional, quando são apontados o envolvimento de políticos de todas as esferas de poder no largo processo de corrupção, aí compreendendo vereadores, prefeitos, deputados estaduais e federais, senadores, governadores, ministros e até ex-presidentes da República, ou seja, exatamente aqueles que deviam e têm o dever e a obrigação de zelar pelos direitos e bem-estar da população, e pelo fortalecimento da democracia.

Daí se indagar: esses homens não se apiedam dos que tanto sofrem? Por que a prática de tanta corrupção? Por que bilhões são comprovadamente surrupiados por esses ladrões do dinheiro público e tão pouco é recuperado? Olhem a saúde sucateada, a segurança já se refletindo dos erros cometidos, a educação em maus lençóis, a previdência falida.

Para nosso desalento, a classe política segue ignorando o instalado cenário de miséria, mantendo as mesmas práticas espúrias; é o que vislumbra quando parlamentares negociam apoio e dividendos políticos em troca de emendas e outras benesses convenientemente referendadas pela nossa carcomida estrutura republicana.

A resposta a essas perguntas deve começar pelo combate incessante, pelas vias democráticas, aos maus políticos e aos compradores de votos. A extirpação radical dessas mazelas vai depender da consciência e do juízo do povo no exercício democrático do sufrágio, porquanto os políticos carregam em seus mandatos o sentimento, a representação e a liderança dos seus representados. Com efeito, seria conveniente que os homens de bem encetassem uma campanha visando conscientizar a nação sobre os vícios e crimes ocorridos no período eleitoral. É que tem sido ineficiente a ação da Justiça nessa área. Frise-se que em todos os mandatos políticos repetem-se os atos de corrupção, desimportando a tendência ideológica do mandatário.
Porém, não se pode olvidar que a pobreza absoluta, como referido no início, destrói a dignidade. E os compradores de votos estão a postos.

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