sábado, 17 de agosto de 2019.
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Dialética versus oportunismo

terça-feira, 08 de julho 2008

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No início dos anos 1980 estávamos embevecidos com os novos ares que sopravam sobre a América Latina, notadamente sobre o Brasil. Eram ares políticos, ares de anistia, ares de liberdade. Ares com cheiro de Arraes, Freires e Betinhos.

A retomada da organização sindical, a chegada dos exilados políticos, o crescimento da Teologia da Libertação foram importantes estímulos para o desenvolvimento de uma mentalidade voltada para a defesa de direitos econômicos, políticos, sociais e culturais dos explorados pelas classes dominantes.
Daí a um pouco mais vieram as lutas pelas Diretas já e as eleições constituintes. De certa forma, os deserdados políticos pelo regime militar, que antes tiveram que se organizar legalmente sob a égide de um só partido (MDB), e que na pós-redemocratização poderiam ser alinhados generalizadamente sob o título de “defensores de Direitos Humanos”, na Constituinte já lutaram por suas demandas particulares: terra para plantar; casa para morar; educação; saúde para todos; infância como prioridade absoluta; direitos sociais no trabalho; defesa do meio ambiente; direitos de gênero etc. Isso, nada mais era do que a expressão da diversidade humana. Assim, a coesão política inicial cedia lugar ao quotidiano.
Como sabemos durante um bom tempo se quis dividir a política e os políticos em “direita” e “esquerda”. Isso não é viável, até por que não há, obrigatoriamente, homogeneidade sequer entre os que têm um olhar semelhante. Em política, a semelhança por vezes está muito longe de significar igualdade; que em alguns casos chega a refletir apenas algum interesse momentaneamente comum.
A contemporaneidade política brasileira tem-nos mostrado que, no tocante à matéria ambiental, às questões de gênero e à atenção prioritária à infância – para citar alguns exemplos –, dependendo dos interesses em questão, ao contrário do passado, ex-aliados podem transmutar-se em ásperos inimigos, agora: em lados opostos de um mesmo “cabo de guerra”. Cabe-nos avaliar: nesses casos, a mudança é melhor explicável pela dialética ou pelo oportunismo?  
 
 

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