sábado, 17 de agosto de 2019.
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Diferentes na forma, semelhantes no conteúdo

quinta-feira, 03 de julho 2008

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As eleições estão chegando e com elas as propagandas eleitorais. E como sempre, alguns candidatos retiram do velho baú ideológico chavões quase esquecidos e palavras de ordem surradas. Esses grupos ocupam o espaço garantido pela legislação eleitoral para repetir “denúncias” contra o capitalismo e anunciar um novo tempo de solidariedade entre os trabalhadores. Alguns ainda pregam a revolução, outros falam em criar uma ordem “internacionalista”, que seria implantada a partir da conquista da prefeitura de Fortaleza. Muitos prometem acabar não só com a exploração da elite neoliberal, mas com o próprio capitalismo.

A estética que acompanha esse discurso também é manjada. Bandeiras vermelhas, boinas, camisetas com Che Guevara, acompanhadas de uma trilha sonora feita com um solitário violão. Imagens de piquetes onde um carro de som ressuscita Geraldo Vandré: “Vem vamos embora, que esperar não é saber…”. Poucos se importam com o que eles dizem, fato comprovado pela baixa votação que esses partidos obtêm nas urnas. Ninguém se ocupa de criticá-los por conta da irrelevância que lhes é atribuída. Muitos riem dessas figuras, sem atentar que essas pessoas são a face caricata de um pensamento bem mais influente do que se pensa. Estão presentes ali os cacoetes ideológicos que, uma vez bem elaborados e sem o devido combate, se transformam em políticas efetivas e influentes, como a discriminação racial por meio de cotas, o assistencialismo governamental que produz eleitores cativos da caridade oficial, o entreguismo do território nacional feito em nome das bandeiras ecológicas e indigenistas. 
Operar a transformação de ideais fracassados em causas respeitáveis não é fácil. É um trabalho de engajamento intelectual feito em doses constantes nas escolas e nos meios de comunicação. Nas eleições, marqueteiros contratados a peso de ouro reformulam a retórica antiga, tornando-a receptível ao público. Entretanto, apesar das diferenças, a distância que separa revolucionários obtusos de reformistas comportados não é tão grande como muitos podem imaginar. Na verdade, são forças complementares de uma cultura capaz de conjugar, simultaneamente, o ativismo de militantes apaixonados e a simpatia de eleitores ocasionais.
A liga que reúne esses atores políticos é a matriz ideológica comum, de inspiração leninista, maoista, marxista ou stalinista. Nesse ponto reside a questão que importa, geralmente deixada de lado. A história comprova – não se trata de opinião, mas de constatação – que o comunismo e o socialismo causaram mais miséria e assassinatos do que qualquer outro sistema político na história da humanidade. E uma doutrina que somente consegue realizar o contrário do que prega, tem um nítido problema de concepção. Portanto, os candidatos da esquerda radical não devem ser menosprezados, pois eles apenas exacerbam na forma, o que falta ao conteúdo de todo de um movimento que, no fim das contas, é também representado por grupos mais refinados, ricos, poderosos e organizados. www.wanfil.blogueisso.com

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