sexta-feira, 20 de setembro de 2019.
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Direita, esquerda e centro na política

JOSÉ G. MONTEIRO ADVOGADO

quinta-feira, 22 de agosto 2019

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Como é sabido, nas eleições de 2018, para presidente da República, se enfrentaram nas urnas as forças políticas identificadas como direita, esquerda e centro.
E, por ocasião do segundo turno, houve autêntica polarização envolvendo, de um lado, o militar Jair Bolsonaro (do PSL), representando a direita e, do outro, o professor Fernando Haddad (pelo PT) representando a esquerda.
Por seu turno, as forças politicas de centro, incluindo aí diversos candidatos e partidos totalmente divididos, ainda ensaiaram um movimento visando sua unificação, sem êxito. Ainda foi redigido um manifesto no qual proclamavam: “À direita, se esboça o surgimento inédito de um movimento com claras inspirações antidemocráticas. À esquerda, uma visão anacrônica alimenta utopias regressivas de um socialismo autoritário”.

Isto posto, é de bom alvitre evidenciar a noção de esquerda e direita que, segundo alguns cientistas políticos, varia historicamente: na origem, a dicotomia opunha liberais e conservadores; depois, comunistas, socialistas, e social-democratas contrapunham-se a liberais, conservadores e fascistas, e assim por diante (in ESTADÃO, edição de 18 de maio de 2018).
Quem é de centro se situa a meio caminho entre essas posições, podendo também ser de centro-direita ou centro-esquerda ou simplesmente de direita e esquerda.

De modo que, no espectro político, a esquerda se caracteriza pela defesa de uma maior igualdade social, embora não fixe consenso sobre o alcance do tema. Normalmente, envolve uma preocupação com os cidadãos que são considerados em desvantagem em relação aos outros e uma suposição de que há desigualdades injustificadas que devem ser reduzidas ou abolidas.

Nas democracias liberais, a direita política se opõe ao socialismo e à social-democracia. Os partidos de direita incluem conservadores, democratas-cristãos, liberais e nacionalistas, a maioria tendente à proteção e desenvolvimento econômico e resguardo de valores tradicionais inseridos no tecido social. Os de extrema-direita incluem os nacional-socialistas, no caso, os nazistas.
Vê-se, assim, que na política o centro tem o significado da moderação, ou seja, nem tanto à esquerda nem à direita, gravitando em torno das conveniências, evitando-se os extremos que desaguam na polarização, como ocorre atualmente, com os atuais mandatários, à frente o presidente Jair Bolsonaro e as forças de esquerda.

No bojo dessa equação, a despeito do embate dessas forças políticas no campo democrático, deve sempre haver espaço para o debate e para a coexistência de ideias. A exuberância da democracia brasileira reside justamente na sua pluralidade, sendo que o seu atual estágio de polarização é perfeitamente normal diante da necessidade de redesignação das forças que integram seu contexto. O que nunca poderemos permitir é que nossa democracia tenha seu significado sequestrado por grupos políticos de ocasião, independentemente da sua orientação.

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