sexta-feira, 22 de março de 2019.
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Distorções educacionais

BARROS ALVES JORNALISTA, POETA E ASSESSOR PARLAMENTAR

sexta-feira, 15 de março 2019

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Eu não tenho dúvidas de que estamos formando uma geração de maricas, de efeminados, de  pessoas dependentes, incapazes de reagir a possíveis agressões e/ou às naturais intempéries da vida. Tudo o que ocorre hoje em dia em termos de contradita ou crítica é considerado bullying. Surgiu até um tal de bullying intelectivo. Talvez seja por essa situação cultural que está sendo impingida aos nossos jovens que muitos chegam à idade adulta sem largar o comodismo do lar materno, ou seja, o rabo da saia da mãe. Graças a Deus fui criado com muito amor, mas como se diz no interior, a angu e tabefe. Quando enfrentei o mundo, os obstáculos não me assustaram e inda agora, em face de qualquer tormenta, arrosto-os com a certeza de que após a tempestade vem a bonança. Devo a têmpera à minha condição de sertanejo nascido e criado nos adustos sertões, aliada à formação que me deram meus pais. Pobres como éramos, não descuidaram de me mostrar que “o bom cabrito não berra.” Outra figura expressiva, cuja memória guardo com carinho, foi minha primeira professora, Luíza Véras, em Cedro. Ela me fez o que hoje seria considerado “bullying” e graças a isto temperou meu caráter. Ainda criança, no segundo ano fundamental, disse-lhe certa vez que não tinha recursos para comprar o material escolar exigido. Resposta dela: “Vire-se. Será cobrado do mesmo jeito dos que têm material.” Hoje, ela seria punida, para minha desgraça. Naquele momento a minha reação silenciosa foi afirmar para mim mesmo que seria o melhor aluno da classe. E fui. Ela se transformou em minha mecenas e ajudadora em tudo o de que precisei. Graças a ela aprendi a amar os livros e a leitura. E a abrir os ínvios caminhos que se nos apresentam na trajetória da existência. Meus filhos, já em outro padrão, estudaram em bons colégios como o Sete de Setembro. Jamais permiti desrespeito a professor, a superiores, aos mais velhos. Bem ao contrário, estimulei os mestres a serem mais rigorosos com meus filhos do que com os demais. Jamais neguei a meus filhos o direito de discordar. Desde que assentados em conhecimentos e argumentos palpáveis. Caso contrário, não lhes assistiria razão o exercício da discordância. E ensinei-lhes a resolverem seus descompassos com colegas de escola e de trabalho, com bom senso, mas com destemor. Se não têm razão ou não sabem, engulam calado a crítica, por mais acerba que seja. Isto não é aceitar bullying. É ensinamento. Quando a família não ensina, a sociedade cobra um preço que o indivíduo, muitas vezes, não tem como pagar.

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