quinta-feira, 20 de junho de 2019.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

"você jamais será livre sem uma imprensa livre." - Venelouis Xavier Pereira

E o feitiço virou…

GEORGE MAZZA FUNCIONÁRIO PÚBLICO E MESTRE EM DIREITO

sexta-feira, 12 de abril 2019

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No último final de semana de março participei na cidade de Salvador de simpósio sobre o tema aborto, sediado na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Organizado por grupo de estudos daquela cidade, o evento tinha como finalidade a discussão sobre a defesa da vida, assunto pouco debatido em nosso país. Há de se notar que, pelo local do simpósio, já se poderia imaginar um cenário onde duas linhas pouco se cruzam: a pauta conservadora e as universidades públicas.

Organizar esse tipo de evento em reduto comunista é estar aberto a toda sorte de retaliação. Por outro lado, é um claro exemplo da retomada do ambiente universitário das mãos de professores doutrinadores e de alunos militantes. Essa retomada, naturalmente, gera reações contrárias. Foi o que se observou nos primeiros momentos de minha fala, quando meu pronunciamento foi interrompido pela histeria de um pequeno grupo de feministas pró-aborto, deslocadas em meio a um considerável público pró-vida que assistia educadamente à exposição. Assim, o que era para ser uma tranquila exposição sobre o tema, tornou-se um campo de batalha ideológico.

Como disse, o fato teve início quando militantes pró-aborto, tentando silenciar meu discurso pró-vida, empregaram a tese de que “se você não é mulher, não pode falar sobre aborto”. Mal esperavam elas que a resposta deste articulista seria rápida: “Quem disse que não sou mulher? A partir desse momento eu me declaro mulher, segundo a teoria de gênero elaborada por vocês, e desejo ser tratada como tal, tendo ampla legitimidade para falar sobre o tema”. Sob aplausos pró-vida e nova histeria das militantes feministas, continuei minha exposição após utilizar recurso ideológico da esquerda contra a própria esquerda. O feitiço virou contra o feiticeiro.

Conto este episódio para mostrar a incoerência de quase todas as pautas da agenda esquerdista. No meu íntimo, desejaria não precisar daquele recurso para me desvencilhar da armadilha ideológica, porém foi o único que me surgiu naquele momento. No restante do debate, ficou notável o despreparo intelectual das militantes feministas em tentar sustentar seus argumentos. Como afirma Brian E. Fisher em sua obra Abortion: the ultimate exploitation of women (Aborto: a exploração final da mulher. Morgan James Publishing, p. 108), “a ignorância desempenha um papel essencial na formação de uma cultura do aborto”.
Presenciarmos um avassalador desconhecimento sobre assunto nos dá a certeza que ainda estamos em um terreno cultural de ignorância sobre o tema aborto.

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