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Eu tenho vergonha

segunda-feira, 17 de julho 2017

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Enquanto formos capazes de sentir vergonha, as coisas poderão não estar tão perdidas assim. Quem sabe? Pode ser. Talvez.
Mas a vergonha de poucos não é suficiente para mudar a realidade desse país brindado com políticos blindados e tão desavergonhados.
Quando vejo um político sendo entrevistado, se pronunciando nas sessões e comissões do Congresso Nacional, nos discursos orquestrados e aplaudidos por asseclas pertencentes ao mesmo grupo político, ou mesmo quando se manifestam contrariamente, intitulando-se oposicionistas, fico analisando a voz, os gestos, os olhos… Porque o corpo fala. E como fala!

Nessa novela do mais baixo nível da política brasileira, cada capítulo é mais grotesco que o outro, num desfile de fantasias ridículas da moral, da ética e dos bons costumes, que não engana a ninguém. Todos sabem e continuam encenando seus papeis de forma fiel.

Temos um presidente da República que no mais perfeito português fala a seu “grupinho” de seguidores como se representasse o povo brasileiro, fingindo desconhecer sua pífia popularidade, querendo fazer crer que o país começa a sair do fundo do poço. Um homem que agia nas sombras e agora retira sua máscara, comprando cargos, trocando políticos, distribuindo benesses, para se livrar de uma acusação por corrupção.
Temos um Congresso Nacional que não representa a vontade do povo brasileiro, mas seus próprios interesses e de seus respectivos grupos, trocando, comprando e vendendo votos para toda e qualquer matéria a ser tramitada, arquivando processos de corruptos filmados e gravados, em conchavos espúrios entre seus pares e quem possa oferecer perigo.

Temos parlamentares que votam matérias da mais alta seriedade e relevância para todo o povo brasileiro sem que este seja ouvido e esclarecido.
Temos um STF que se queda em decisões incompreensíveis e inadmissíveis mesmo para o leigo no Direito, mostrando o quanto a balança da Justiça pende, dependendo do lado. E solta um e solta outro, porque ficar preso é para quem rouba pouco.

Temos um TSE que não consegue cassar uma chapa política que cometeu incontestes crimes eleitorais e por isso mesmo absolve por excesso de provas.
Temos um povo pacato, manso, que perdeu a capacidade de se indignar, de reclamar, de protestar, mostrando sua eterna aura de homem cordial.
Temos tudo isso, portanto, não temos nada.
Temos talvez o mínimo, quiçá um pouco de vergonha.
Eu tenho vergonha e sei que você tem também.

Grecianny Cordeiro
P. De Justiça

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