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Groaíras já conta com sua academia

RAIMUNDO NONATO XIMENES JORNALISTA E ESCRITOR

quinta-feira, 07 de dezembro 2017

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Aexemplo de outros importantes centros culturais, municípios mais desenvolvidos do Ceará, Groaíras também já conta com uma academia de Letras, cujo patrono é o Monsenhor Raimundo Cleano Tavares Moreira, a quem devemos seu desenvolvimento educacional e sociocultural, pois logo que assumiu a direção de nossa paróquia (1953), seu zelo de pastor aliou-se à sua vocação de educador e elaborou um projeto ousado para a época: criou a Escola Paroquial Pio XII, o que viria a ser, mais tarde, o Ginásio Padre Mororó, marco de nossa trajetória educacional, que culminou na criação de nossa academia.

Por fidelidade à História, lembramos que esse tipo de agremiação é legado que a cultura grega nos deixou. Por volta de 387 a.C., Platão fundou sua escola filosófica, a academia, nos jardins construídos por seu amigo Academus.

Nossa academia de Letras, a AGL, foi instalada em 4 de outubro de 2017, nas dependências da Escola Monsenhor Linhares, Centro, quando foram empossados 30 acadêmicos fundadores e mais de 10 sócios beneméritos e correspondentes. Naquele momento, meu coração antes acelerou e depois quase parou, por sentir uma emoção nunca dantes experimentada, nestes meus quase 95 anos de lutas, de quedas e de vitórias. Para aumentar esse estado de emoção, aliou-se o contentamento quase incontido, quando me deram a cadeira n° 1, privilégio que, honestamente, não me achei merecedor.

Por reconhecimento e gratidão, escolhi para patrono da cadeira que ocupo meu avô materno, João Ximenes Cavalcante, que me transmitiu as primeiras lições de honestidade e de respeito ao próximo. E não exagero repetir que aquele evento foi indescritível, sobretudo para mim, um simples agricultor, semianalfabeto até a idade adulta. Cheguei a sofrer o que hoje se chama bullying, no início de meu emprego, na Justiça do Trabalho, pela maneira como pronunciava determinadas palavras: “avaluar”, em vez de avaliar; “algébra”, em vez de álgebra; “vibóra”, em vez de víbora, e assim por diante, receber de meus conterrâneos tanta distinção. Só me resta, portanto, agradecer, antes de tudo, a Deus e depois aos meus companheiros, principalmente ao idealizador, Domingos Pascoal de Melo, e aos incentivadores Gilberto Alves Feijão, Augusto Martins Melo e à presidenta da academia, professora Edna Mendes, que tão bem souberam dar andamento aos preparativos, razão do sucesso que obtivemos.

Groaíras, portanto, já tem sua Academia de Letras, o que se constitui um fato histórico que jamais será esquecido e sempre será valorizado por todos os filhos da terra berço do herói nacional Gonçalo Inácio de Loyola Albuquerque Melo, o Padre Mororó, especialmente por aqueles que se interessam por conhecer nossa História e que lutam pela cultura, vendo-a como a riqueza maior de um povo.

Nosso pedacinho de chão já é destaque nacional, figurando em segundo lugar no ranking de qualidade do ensino público e do privado, conforme dados divulgados pelo índice de oportunidade da Educação Brasileira (Ioeb), o que evidencia também o alto preparo de nossos professores. Procede, por isso, dizermos que Groaíras é terra de talentos e de pessoas inteligentes e que faz jus receber uma academia de Letras. Observando as qualidades de nosso povo, quebramos o mito de que o Nordeste é uma região onde campeia a miséria, marcada pelo analfabetismo e pela ignorância.

Na realidade, somos é vítima da discriminação e do preconceito por ser nossa região, periodicamente, atormentada pela seca, mas, acima de tudo, por ser ela consequência do descaso dos governantes no decorrer da História.
Portanto, avante, acadêmicos, levemos à frente esse troféu e, como se diz popularmente: “não deixemos a peteca cair”.

 

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