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Grunhidos na pocilga

quinta-feira, 16 de março 2017

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Parece não haver limites para as bizarrices da pocilga que se instalou no comando da República. Suspeito de crimes diversos, o ex-presidente Lula tem o desplante – que não é surpresa – de transformar uma audiência no Tribunal Federal de Brasília num verdadeiro palanque eleitoral. O presidente Michel Temer, cercado de suspeitos e envolvidos na Lava Jato, faz cara de paisagem e os mantêm nos cargos de ministros devidamente protegidos pela excrecência do fórum privilegiado.
O Congresso, hoje dominado por gangsteres, se apressa em escapar da Lava Jato. Articulam anistia para o roubo do caixa 2.

Tramam, na residência do presidente da República com a preciosa assessoria do ministro Gilmar Mendes, alterações na legislação partidária e eleitoral apenas para se protegerem, em 2018, da ira da sociedade brasileira – esse ente bestializado! Uma das malandragens é a votação em lista. Uma forma esperta de esconder os caciques partidários – na verdade chefes de gangues – do espírito inquieto, revoltado e desorientado – ainda que escandalosamente covarde – dos brasileiros.

Na outra ponta, destoando da canalhice reinante, o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, começa a analisar os 294 pedidos de investigação encaminhados pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot. Só uma nação esquizofrênica como a brasileira suporta tamanho descalabro sem nada fazer. Na lista, dentre outros, todo o comando político do País, com raras e honrosas exceções.

Perplexa, decadente, diante de um mundo em grande transformações, a nação brasileira caminha célere para uma inédita escatologia explosão. A tradição nos faz crer que nada, na verdade, vai acontecer. Iremos empurrando esses escândalos, fazendo um remendo aqui e outro ali, ajustando a economia no limite do necessário, mantendo a boiada no pasto até que os contornos da injustiça e do saque organizado ao erário se adapte às novas exigências e contemporaneidades. Nada além!
Mas há também a possibilidade de ser diferente. A boiada continua sendo boiada, mas é mais diversa, o pasto é pouco e a cerca é fraca. A chance de termos revoltas e descontroles é muito grande, apesar do cenário econômico sugerir alguma recuperação. Ninguém fala exatamente, há um cuidado para que os ânimos não se acirrem, mas a verdade é que não há luz no fim do túnel. A sorte – se podemos falar assim – é que não temos líderes de fato e menos ainda propostas e alternativas consistentes. Esse vácuo alimenta e mantêm o marasmo.

Jorge Henrique Cartaxo
Jornalista

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