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A guerra da Coreia

LUÍS-SÉRGIO SANTOS JORNALISTA

sexta-feira, 12 de Janeiro 2018

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Levada ao fétido esgoto nos últimos anos, a política no Brasil é um retrato deplorável da má qualidade dos seus atores e figurantes — canastrões: mal intencionados e “usufrutuários” de um esquema de usurpação das receitas dos impostos.

O governo Temer, continuação risível do desastroso ciclo Dilma, com quem se elegeu na função de vice, não fez um movimento para iniciar um ciclo de restauração da dignidade na política. Ao contrário, o jurista presidente Temer rasga, a cada dia, o que sobrou de razoável na sua biografia.
O jeito é torcer para que as eleições de outubro de 2018 sinalizem para o início de um novo ciclo o que, a preço de hoje, soa meio ficcional. As regras do jogo eleitoral dão, aos donos dos partidos, um enorme poder de manobra, negociação mas, principalmente, poder de troca. O grande valor dos partidos parece, mesmo sem o “valor de troca”, dentro do padrão marxiano da troca.

Por isso, vou falar sobre a guerra da Coreia, desestimulado pelo cenário asqueroso da política nacional no qual a crise de autoridade e a correlação de forças na superestrutura criam as condições objetivas para a estabilidade do crime e para a degradação de valores de conivência social.
***
A Coreia — dominando pelo Japão desde 1910 — foi uma das vitimas da arrogância política iniciada no acordo de rendição do Japão que formalizou o fim da segunda guerra mundial, em 1945. A Coreia virou ponto de tensão e marco inicial da “guerra fria”. Em 1948, por pressão Soviética, a península coreana foi dividida ao meio sendo usado como demarcador o paralelo 38: na parte de cima, a Coreia do Norte; na parte de baixo, o Sul. Estavam criadas a Coreia do Norte e a Coreia do Sul em uma decisão política que “cortou” a península ao meio, separou famílias e tornou irmãos em inimigos. A porção territorial do Norte passou a ser tutelada pela União Soviética e, posteriormente, também pela China comunista e a parte do Sul pelos Estados Unidos que mais tarde abriu mão da tutela, mas promoveu e estimulou enormes investimentos na Economia e na educação do Sul.

Desde então, o clima de tensão potencial entre as duas Coreias só veio aumentando principalmente porque cada uma representava mais que sua faixa territorial. Até que, em 1950, começa a guerra da Coreia, o Norte invade o sul e chega a ocupá-lo quase que totalmente por alguns meses numa carnificina que sacrificou, principalmente, a população civil sem poupar mulheres e crianças. A guerra dizimou a península ao longo dos três anos, um mês e dois dias. As forças militares das Nações Unidas, lideradas pelos Estados Unidos, tinham tropas enviadas pelo Reino Unido, Canadá, Turquia, Austrália, Filipinas, Nova Zelândia, Tailândia, Etiópia, Grécia, França, Colômbia e outros. O Brasil ficou de fora numa decisão polêmica.
Do lado da Coreia do Norte estavam a União Soviética — que forneceu helicópteros de última geração — e a China, que forneceu milhares de soldados. Retribuía com a mesma moeda a ajuda da Coreia do Norte na sua recém vitoriosa revolução comunista.

Era um cenário de nitroglicerina com milhares de baixas nas tropas das Nações Unidas. Uma das baixas foi o general Douglas MacArthur, comandante das tropas. MacArthur queria invadir a recém comunista China e chegou mesmo a avançar em território chinês, desafiando ordens do presidente Harry S. Truman. Em 1951, Truman demitiu MacArthur, herói da Segunda Guerra Mundial e a guerra continuou somente em solo coreano.

Por um triz não se iniciava uma terceira guerra mundial somente cinco anos depois do fim da segunda guerra.
Ao final, em julho de 1953, ninguém cantou vitória. Todos perderam e veio daí a alcunha “guerra esquecida” ou mesmo “guerra da vergonha”. Mas o fato é que, a Coreia do Norte, uma guerra tão demorada e as enormes perdas nas tropas das Nações Unidas tinham um certo sabor amargo de vitória. A partir de então foi criada a Zona Desmilitarizada Coreana e o regime do Norte ficou mais insulado. O Sul ganhou enormes compensações na Economia e, hoje, é uma potencia econômica mundial com marcas globais.
A guerra da Coreia nunca deveria ter sido esquecida. Ela é uma invenção da geopolítica e da arrogância dos que defendem muros como forma de contenção.
A Coreia do Sul apostou no caminho da Educação. Ao fim e ao cabo, quem ganhou?

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