domingo, 25 de agosto de 2019.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

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Heróis cearenses

NARCÉLIO LIMAVERDE RADIALISTA, JORNALISTA, ESCRITOR

segunda-feira, 12 de agosto 2019

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Encontrei em casa o livro “Oitocentas Léguas a pé”, escrito por Arthur Baptista Nepomuceno, edições Melhoramentos. Ele conta a história de três escoteiros cearenses, ele, Manoel Bastos de Oliveira e José Limaverde Sobrinho. Em 1923 eles cumpriram o raid Fortaleza a São Paulo, a pé. Uma narrativa impressionante sobre o que enfrentaram na mata brasileira, conforme Arthur: “ Oitocentas léguas a pé, pelo interior do Brasil. É preciso te-las palmilhado, sob um céu de fogo, rasgando os pés nas pedras e nos espinhos, com sede e fome, muitas vezes, para se ter idéia exata de tão grande esforço”. Durante um ano, os escoteiros nordestinos enfrentaram os perigos de uma viagem pelos sertões brasileiros, incluindo encontro com Lampeão e seu bando. A saga começou no dia 2 de dezembro de 1923, concluída a 28 de novembro de 1924, quando chegaram em São Paulo.
Foram recebidos com festas, comprovando a hospitalidade e o reconhecimento dos paulistas. José Limaverde Sobrinho, meu pai, durante alguns anos contou essa história no seu programa Cousa/que o Tempo Levou, * a Hora da Saudade, na Ceará Rádio Clube, Pre9.Nas audições lutava pela Música Popular Brasileira. Como era também músico, sempre nos fins de semana visitava amigos mais idosos. Estes cantavam as músicas do passado e ele passava as notas musicais, para uma partitura, levando para serem interpretadas pelo Conjunto da Força Policial, hoje Polícia Militar, e pelo elenco de cantores. Hoje é nome de rua na Barra do Ceará, Avenida Radialista José Limaverde. Tudo começou quando o jornalista Wilson Ibiapina, escreveu reportagem sobre o feito dos escoteiros do Ceará. Isso motivou a Câmara Municipal de Fortaleza. Projeto do vereador Ademar Arruda homenageou Limaverde com a rua que citei. A inauguração contou a presença do autor do projeto, o prefeito da época, Evandro Ayres de Moura. Essa história tivemos de contar, eu e o irmão Paulo, porque há alguns anos, vereadora tentou tirar o nome de Limaverde, trocando-o, segundo ela afirmava, por um de seus eleitores nascido na Barra do Ceará. Não foi fácil mudar a opinião da vereadora. Graças à Câmara Municipal de Fortaleza, o reconhecimento dos vereadores, a homenagem realmente foi e continua sendo justa. Aproveitei, ontem a comemoração do Dia dos Pais, visitei a bela avenida, e escrevi sobre um homem que soube viver com dignidade. Hoje, José Limaverde, é nome de rua na cidade que amava e sua família também.
Nós, cearenses, esquecemos com facilidade os nossos heróis.

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