sábado, 17 de agosto de 2019.
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Hofmann, Cofoloniere e…

segunda-feira, 07 de julho 2008

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Hofmann, Cofoloniere e também da Silva era um dos restaurantes mais aprazíveis de Brasília, quando cheguei por aquelas paragens. Num avarandado de suas esquinas – nunca entendi porque dizem que Brasília não tem esquinas – estava ali para nos matar a fome em alemão, em italiano e em nordestinês. No Hofmann comi a melhor “cartola” da minha vida, claro, feito pelo da Silva, que seguramente deveria ser um cearense.

Mas não me lembrei do restaurante pelo inusitado da associação de seus proprietários ou pela pluralidade de seus pratos. Lembrei-me porque é o que me sugere os noticiários políticos brasileiro quando falam das coligações em busca das eleições para Prefeito.
As alianças que vão se desenrolando para as campanhas eleitorais, estão bem ao gosto dessa mistura inusitada e aparentemente inconcebível. São Hofmanns que se juntam com Cofolonieres e com também da Silva e trazem para nossa cabeça a memória recente das decisões de tribunais eleitorais caçando, ou querendo caçar, políticos infiéis às suas legendas.
Mas que políticos infiéis, cara pálida? Que filiados e que partidos? No nosso Brasil, partido é uma agremiação política como em qualquer outro país, só que aqui é meio clube. Clube dos amigos e dos interesses dos amigos.
Partidos no Brasil de hoje, não são formados a partir de um ideário, de visões políticas e maneiras de ver e de consertar ou tentar consertar o mundo em que vivemos.
Não, o que denuncia o noticiário político é que não há ideologia a defender. Não há linha programática a defender. Só há interesses a compor. Isso é bom? Isso é ruim? Não sei, é o modo brasileiro de fazer política, então, é bom que em nome de uma mínima coerência, não se argua mais essa história de fidelidade partidária. Se não temos partidos como agremiações fechadas em torno de um ideário, se os políticos se aliam, não conforme suas ideologias, e sim conforme as suas necessidades de vencer as eleições.
Vamos acabar com essa hipocrisia de exigir que uma vez eleito, o político não possa troca o nome da sua carteirinha. Mesmo porque a comunidade já sabe que essa discussão é só para preservar o horário político na televisão, cada vez mais caro e chato, e para preservar as despesas feitas com o fundo partidário. Olha, nós eleitores, não merecemos!!!!
Nós já sabemos que o “jeitinho” dá conta de tudo e nessa história do sujo não falar do mal lavado, vão passar também os erros cometidos pelas convenções, e no fim, nos apresentarão uma cédula com o que bem entenderem, toda carimbadinha com uma dezena de nomes de partidos cuja soma não faz o menor sentido em nossas cabeças ainda lúcidas.
 Deixem que fique assim, como restaurante do Hofmann, Cofoloniere e também da Silva, que infelizmente, fechou.

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