sexta-feira, 20 de setembro de 2019.
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Homens fora do lugar

JORGE HENRIQUE CARTAXO JORNALISTA

quinta-feira, 22 de agosto 2019

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Uma das características assustadoras dos homens públicos contemporâneos, no Brasil e alhures, é o seu absoluto desprezo e distanciamento do que deveria ser nobre, culto, virtuoso e digno. Certamente, ninguém é tão cândido assim nas lides políticas. Mas, pelo menos desde as revoluções dos séculos XVIII e XIX, no Ocidente, o representante e os gestores do Estado se não eram exatamente virtuosos e dignos – e não raro, não o eram exatamente –, no mínimo, faziam por merecer tamanha deferência e credibilidade.
Nos séculos XX e XXI, em seus dias mais tenebrosos, o Ocidente nos ofereceu uma plêiade de homens extraordinários: Franklin Delano Roosevelt, o presidente norte-americano do New Deal e líder da América na 2ª Guerra Mundial; Winston Churchill, o extraordinário e emblemático primeiro-ministro Inglês; Barack Obama, o elegante e suave presidente negro norte-americano; John Kennedy, o presidente bossa nova dos EUA; Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, dois grandes brasileiros; Nelson Mandela, homem grandioso de todos os tempos; além de: Tancredo Neves, Franco Montoro, Ulysses Guimarães, Fernando Henrique Cardoso, personagens da vida política brasileira que sempre tiveram modos e posturas públicas…
Hoje, Trump e Putin, por exemplo, sugerem temeridades. No gabinete que já foi de Churchill em Londres, despacha um homem bizarro que atende pelo nome de Boris Johnson. Na América Latina, há loucos de todos os matizes, com destaque para inqualificável Nicolás Maduro e o impróprio Jair Bolsonaro. Vaidoso de sua própria ignorância e falta de modos, o presidente brasileiro tem minado, com afinco e rara eficiência, sua própria credibilidade. A lista é enorme e constrangedora, mundo afora!
Mas, nada mais parecido com o nosso tempo quanto a “notabilidade” política do deputado Alexandre Frota. Sua história pessoal resume-se a filmes pornôs e dependência de drogas pesadas e um senso de oportunidade que lhe fez postar nas redes sociais vídeos defendendo a candidatura de Bolsonaro. Foi premiado com um mandato de deputado federal. Sem dizer ou fazer exatamente nada importante, ocupou espaço na grande mídia – que noticiava até seus passeios em Brasília com os filhos.
Expulso do PSL, rompeu com o Palácio do Planalto e ingressou no PSDB de João Doria, o governador de São Paulo. Ganhou uma entrevista no prestigiado Roda Viva – TV Cultura – e desfilou, no Congresso Nacional, de braços dados com o governador paulista. Uma espécie de troféu eleitoral. É isso mesmo!?

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