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José Martins Rodrigues

sexta-feira, 29 de março 2013

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Há episódios magníficos na vida do grande cearense que foi José Martins Rodrigues. Sua coragem pessoal, seu destemor ante  o arbítrio e, mais ainda, sua fidelidade aos amigos, fizeram-no quase uma lenda.

Esse homem, pequeno, mas forte, moreno, mas de alma clara e inteligência lúcida, carregou, até o sacrifício pessoal, a tarefa de conduzir a bancada do PSD nos dias mais difíceis do golpe militar.

Impressiona qualquer um quando se sabe que, convidado pelo presidente Castelo Branco para ser ministro (e até governador), recusou o convite para se transformar no líder das oposições. No Ceará, não foi menor: deputado federal por várias legislaturas, foi secretário de Justiça, secretario da Fazenda e secretário da Agricultura no governo Menezes Pimentel e, nessas condições, assumiu a chefia do Executivo cearense, incontáveis vezes.

No episódio da eleição indireta de Pimentel, em 1935, foi o condutor da bancada lecista, obrigada a buscar nos quartéis, a preservação de sua integridade física. Quando se fecha o acordo entre pessedistas e udenistas na União Pelo Ceará, em junho de 1962, em torno de Virgilio, José Martins deixou brilhar uma de suas maiores características: a lealdade.

Na casa do governador Parsifal Barroso, numa noite em que já se comemorava o pacto entre pessedistas e udenistas, o governador lhe diz – a José Martins e Armando Falcão – que seria preciso substituir o nome de Figueiredo Correia para vice de Virgílio, porque “o governo lhe fazia restrições”. Áspero como um mandacaru e firme como um jequitibá, o líder pessedista deu a Parsifal, a resposta  pronta e  necessária:
– Governador, se o nome de Figueiredo é vetado por V. Excia, digo-lhe que não haverá “União”. O PSD não tem outro nome.

Altivo e firme, recusou as exigências do ministro da Justiça, Juraci Magalhães, acusando ambas as pretensões como incompatíveis com o princípio federativo. Sem medo de nada, negou-se. Não podia transigir com esse tipo de concessões, pois isso seria abrir a porta a novas exigências do arbítrio. Quando da votação da mensagem em que o governo pedia licença para processar o deputado Márcio Moreira Alves, o bravo parlamentar denunciou seus objetivos inconstitucionais e lutou pela sua desaprovação. O PSD todo mobilizou-se em torno daquele homem de aparência frágil, mas de uma estatura moral ilimitada.

Como diz um livro biográfico publicado pela Câmara Federal, Martins Rodrigues comandou a defesa, na  Comissão de Constituição e Justiça, do deputado que era seu liderado. O próprio relator da matéria, o deputado Djalma Marinho, da Arena, do Rio Grande do Norte, proferiu, em nome do partido do governo, seu voto contrário àquela concessão. Viu-se, naquele momento, brilhar, uma vez mais, o poder verbal e o valor jurídico de José Martins. Levantou-se de sua cadeira e apontando para Djalma  Marinho, exclamou:
– De pé para aplaudir um homem !

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