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Juazeiro do Padre Cícero

quinta-feira, 13 de julho 2017

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P adre Cícero, o “Cearense do Século” escolhido em pública votação por todos os cearenses d´aquém e d’além, que manifestaram o apreço e a devoção a essa personalidade taumatúrgica, foi elevado à santidade no imaginário das populações nordestinas bem antes de morrer. Com a morte do líder político e religioso em 20 de julho de 1934, a crença nos poderes místicos do dedicado pastor das almas sertanejas somente cresceu, levando a que o fundador do Juazeiro do Norte se tornasse, indubitavelmente, a figura mais querida e incensada pelos católicos nordestinos, especialmente na seara da religiosidade popular. Milhões de fiéis devotos que acreditam na santidade do padre, visitam a cidade de Juazeiro anualmente, em romaria, o que constitui inequívoco gesto configurador do poder místico daquele humilde pároco de aldeia, que se tornou um dos mais poderosos líderes do Nordeste, defensor das levas de pobres vítimas das grandes estiagens que se abatem sobre o sertão sofrido.

Em boa hora, pois, o deputado caririense, Dr. Santana, ex-prefeito de Juazeiro do Norte, apresentou à apreciação da Assembleia Legislativa do Ceará, o Projeto de Decreto Legislativo nº 2/2017, o qual com arrimo na Lei Complementar nº 29/2002, propõe a realização de plebiscito naquele município, com vistas à mudança do nome Juazeiro do Norte para JUAZEIRO DO PADRE CÍCERO. Trata-se de homenagem das mais justas e requeridas por quantos compreendem a grandeza e a importância do Padre Cícero, não apenas para o município, para a Região Caririense, mas para a nação nordestina, e, sobretudo, para cada uma das pessoas que sabem pela fé, que o santo dos sertanejos continua a velar pelo nosso povo e pelo progresso da terra que tanto amou desveladamente. Ademais, registre-se: nenhum romeiro verbaliza que vai fazer sua romaria ao Juazeiro do Norte. Todos nós vamos rezar no horto do Juazeiro do Meu Padim Padre Cícero.

Por pertinente, vale ressaltar que prelados do topo da hierarquia da Igreja Católica já não mais olham de soslaio a possibilidade de reabilitação do Padre Cícero, que foi punido e perseguido por um bispo de vesga visão, ao tempo em que o Meu Padim cuidava das almas sedentas dos sertões e foi protagonista do que veio a passar à história como o “Milagre da Hóstia”. Tanto o Santo Padre Bento XVI, quanto o Papa Francisco, já acenderam novas luzes para o processo de reabilitação, por intermédio da palavra de assessores próximos. O tempo da Igreja é o tempo de Deus (kairós), não é o tempo dos homens (kronos). Isto significa dizer que mais dia menos dia o Padre Cícero, que já é santo na devoção do povo nordestino, será alçado à glória dos altares com a chancela da Igreja a que tanto serviu com profunda obediência, apesar das injustiças sofridas por uma de suas eminências.

Barros  Alves
Jornalista

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