terça-feira, 18 de junho de 2019.
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Lendas brasileiras

segunda-feira, 08 de setembro 2014

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No próximo dia 10 de setembro, no Ideal Clube, a REBRA – Rede de Escritoras Brasileiras, por meio da presidente Joyce Cavalcantte, fará o lançamento da antologia “Lindas Lendas Brasileiras”.

Num Brasil rico de cultura, e nem sempre valorizada ou prestigiada, nada mais providencial do que resgatar seus mitos, suas lendas, através da literatura, onde diversas autoras, do Oiapoque ao Chuí, contam essas histórias das mais variadas formas.

Aqui no Ceará, temos a lenda da Lagoa do Opaia, de Rosabela e Carimbamba, que passo a contar, em verso: “Amanhã eu vou, amanhã eu vou… Todas as noites ouvia Rosabela o canto da Carimbamba, trazido pelo uivante vento que soprava da lagoa. Carimbamba era ave de canto triste. Parecia coruja, de codinome Bacurau (…) Como que tomada de entorpecimento, puro enfeitiçamento, Rosabela atendeu ao canto de Carimbamba. E como bela dama, ardida em paixão, a ele se devotou. Na lagoa de Opaia, em plena lua cheia, Rosabela entrou, envolta pelas táboas, ao triste canto de Carimbamba, refinada donzela se entregou: ‘Amanhã eu vou, amanhã eu vou….’ Um canto perdido do tempo, no mais puro esquecimento, Rosabela ficou”.

A autora e jornalista Lêda Maria abrilhanta a obra com seu conto “O Poder da Lua Cheia na Floração da Maternidade”, onde o jovem casal Mário e Luiza alimentava o sonho de gerar um filho, no entanto, esse sonho não se realizava e, a conselho de uma amiga, deveria o casal firmar uma parceria entre lua cheia e fertilidade. “Ano seguinte, noite de lua cheia, o clarão entrou entre as janelas de uma maternidade localizada na Praça da Liberdade. (…) E seguindo o rastro das estrelas, eles ouviram os acordes da Noite Feliz, acompanhados de um choro nunca escutado.”

A professora e escritora Michelly Barros nos conta sobre a lenda do “Lobisomem do Ceará”, surgida em Itapipoca, onde uma moça nova e bonita costumava sair à noite, retornando apenas ao amanhecer, e gostava de cemitérios, onde passava horas visitando as tumbas antigas. Certa vez, a mãe saiu atrás da filha e, ao sentir um arrepio, disparou sua espingarda, atingindo um bicho. Seguiu os rastros de sangue e ali viu sua “filha ensanguentada, ferida, querendo se desvirar, metade bicho, metade gente, se espojando nas terras da família.”

E tem ainda a lenda da mulher que virou sereia, da mandioca, do Saci-Perêrê, do Ipê-Amarelo, dos Ubuntu, da Vitória-Régia, do Pé de Jambo …

É preciso resgatar nossas lendas e mitos.

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