domingo, 16 de dezembro de 2018.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

"você jamais será livre sem uma imprensa livre." - Venelouis Xavier Pereira

Mediocridade e ofensa

JORGE HENRIQUE CARTAXO JORNALISTA

quinta-feira, 09 de agosto 2018

Imprimir texto A- A+

Como tudo no Brasil é fake e/ou está em avançado estado de decomposição, as eleições em curso no País não poderiam ser diferentes. Não temos os dados de todos os desencontros nas disputas estaduais no executivo e legislativo, ainda que seja visível as tensões no Ceará, em Alagoas, em Minas e aqui no Distrito Federal. Há de tudo, menos propostas e movimentos consistentes no sentido de se dar uma nova feição à gestão pública nas unidades da federação, em sua maioria caóticas. No plano nacional, parece bem visível o destrambelho na corrida presidencial. Mesmo identificando qualidades individuais nos candidatos, os arranjos políticos da campanha de alguns são medonhos. O esforço para nada dizer e ou esclarecer para a população é extraordinariamente ofensivo a qualquer cidadão minimamente informado.

Na semana passada, a TV Cultura e a TV Globo, em cenários distintos, nos brindaram com um espetáculo de como desinformar e desaparelhar os cidadãos para a cena política que se avizinha. No caso da TV Cultura, o Programa Roda Viva, que entrevistou o presidenciável Jair Bolsonaro, ofereceu ao País o mais boçal do ante-jornalismo jamais visto na República. Indecente! Nada a favor do senhor Bolsonaro. Particularmente, tenho uma miríade de restrições ao capitão amigo das armas e inimigo das letras e das boas palavras. Mas, independente dos meus queixumes e ilusões, ele é – pelo menos até agora – o candidato preferencial dos brasileiros, segundo as pesquisas mais recentes. Dialogar com esse fato, até para melhor compreende-lo de uma forma inteligente e respeitosa é o mínimo que se espera de qualquer jornalista.

Mais refinado, com jornalistas tarimbados pela experiência, o debate que a TV Globo promoveu com os presidenciáveis se não perdeu em modos – como a TV Cultura – foi frágil na qualidade e conteúdo. Sua plêiade de jornalistas – com a exceção honrosa do sempre genial Fernando Gabeira – foi provinciana, primária, aquém do desafio que o tema envolve . Buscava futricas, temas antigos, fatos passados já descontextualizados…um horror. O presidenciável Ciro Gomes, dos candidatos o que mais sublinha problemas reais da nossa economia, da nossa estrutura política, das nossas instituições, da polêmica reforma previdenciária…etc, foi tratado como um menino birrento, exatamente pela sua coragem e clareza. Não se trata aqui de apoiar ou não as teses do candidato alencarino, mas antes de ilustrar o nível rasteiro que querem impor ao debate político no País.

Instagram

[instagram-feed]

Facebook

Twitter