27 C°

sábado, 21 de outubro de 2017.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

"você jamais será livre sem uma imprensa livre." - Venelouis Xavier Pereira

Mulheres-poemas

quinta-feira, 12 de outubro 2017

Imprimir texto A- A+

Estou envolvido com literatura há muito, muito tempo, desde que eu era menino, pois quando tinha 14 ou 15 anos eu já escrevia, até ganhei um concurso de contos em uma revista, com prêmio em dinheiro. Então, continuei a escrever, que o incentivo foi bom e passei a escrever crônicas, também, que publicava no jornal da minha cidade, na cidade vizinha, e nos jornais dos Diários Associados de Santa Catarina.

Quando cheguei à faculdade, publiquei meu primeiro livro, fundei um jornal e lançamos um suplemento literário, para publicar as colaborações do leitor: contos, crônicas, poemas. Assim, nasceu o Grupo Literário A Ilha, da necessidade de abrir espaço para novos escritores. E lá se vão 37 anos. De maneira que estou às voltas com literatura quase toda a minha vida. E, nesta caminhada, tenho visto novos poetas aparecerem, sempre, alguns bons, outros nem tanto, alguns melhorando o fazer poético e se tornando bons poetas, outros desistindo por falta de talento, dedicação, talvez por falta de ler mais e escrever mais, sei lá.

Então me integro à confraria do Pessoas, grupo de poetas que começou com quatro de nós e hoje já somos nove. E percebi alguns detalhes nos integrantes da Confraria. Primeiro, a maioria é de meninas. Meninos, só eu e o Roney. Outro detalhe importante: das sete meninas, duas já são veteranas nas letras, a Norma e a Fátima de Laguna. Mas, as novas poetas – poetisas, eu sei! – que coisa fenomenal! Elas já chegaram com a poesia pronta, com o olhar de poeta, com a alma de poeta, com o coração de poeta! Eu fiquei pasmo, maravilhado com a qualidade da poesia de nossas novas confreiras, com o talento, com a vocação poética. Eu me encanto – e não só eu – a cada novo poema que elas mostram. E não canso de me perguntar: onde estavam essas poetas tão poetas, tão cheias de poesia, todo esse tempo, sem que lhes soubéssemos da suprema inspiração?

Elas chegaram arrasando, algumas até com aquele receio inicial e natural de mostrar o que estavam poetando, e se poesiaram. Sim, elas se poesiaram, pois elas, verdadeiramente, começam a personificar a poesia. E eu agradeço a Deus por elas existirem, por saber delas, por poder usufruir de suas sensibilidades e lirismo, coisas que elas têm de sobra. E olhem que sou exigente, não estou sendo condescendente nem gentil: são poetas de verdade, que eu admiro. Estão aí para provar isso a audiência da revista Suplemento Literário A Ilha, que publicou uma edição com todos os poetas da Confraria, das páginas do grupo no face e das páginas de jornais.

Chris Abreu veio vindo de mansinho e se revelou gigante na sua magnitude poética. Sua serenidade constrasta com a sua poesia forte, consistente, universal. Chegou esbanjando poesia, sensibilidade, lirismo. A poesia flui dela naturalmente, com uma facilidade invejável. Denise de Castro, outra poeta de mão cheia, chega e leva a gente de roldão no impacto da sua tecitura poética. A poesia viva, pulsante, transbordando sentimento. Onde estavam esssas poetas que a gente não tinha vivido, ainda, a sua poesia grandiosa? Denise é plena de inspiração e de criação e sua poesia enleva a gente, que se encanta com versos. Cláudia Kalafatás, com esse nome bonito de poeta, é poeta com certeza. E chegou jogando poesia de verdade, sentida e vivida, em cima da gente. Privilégio poder usufruir da sua criação, poder recriar a força da sua poesia. Mais uma grande poeta que se nos revela, trazendo todo um universo em versos, ritmo, sensibilidade e emoção. Rita Marília eu já conhecia um pouquinho antes da Confraria, já lhe tinha sorvido a poesia em goles pequenos. Mas, espantei-me com a sua maturidade poética, descobrindo bem mais da sua poesia, com sua admiração pelo poeta Manuel de Barros, o grande poeta que acho que a ajuda a ser grande também.

Luiz Carlos Amorim
Escritor

outros destaques >>

Facebook

Twitter