sábado, 17 de agosto de 2019.
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Não esperem mais 379 votos!

GENÉSIO ARAÚJO JÚNIOR JORNALISTA

terça-feira, 16 de julho 2019

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(Brasília-DF)
Foram 379 votos! Isso mesmo! Um número inimaginável.  O impeachment da então presidente Dilma Rousseff, com abertura de processo na Câmara, foi de 367 votos. O placar de aprovação da reforma da Previdência, na Câmara dos Deputados, foi para tirar o fôlego!
A reforma mais impopular entre todas elas conseguiu esse êxito. Só uma crise do tamanho que estamos vivendo poderia fazer essa reforma ser aprovada do jeito que foi. Ainda tem o segundo turno em 6 de agosto, mas a fatura já está resolvida. Se fala no porvir e aí ,sim, vale à pena tratar. O Senado tende a referendar o que será completado na Câmara e a inclusão de estados e municípios é tida como certa. O já nomeado relator da proposta no Senado, Tasso Jereissati(PSDB-CE), outro tucano como era Samuel Moreira(PSDB-SP), na Câmara, já fez a sinalização.

Podemos falar da crise que viverá as esquerdas, mais intensamente, com a onda das reformas, poderíamos tratar do protagonismo dos partidos de centro com fortalecimento da turma de Rodrigo Maia(DEM-RJ) que deverá “contaminar” Davi Alcolumbre(DEM-AP) no Senado, poderíamos tratar o que o ministro da Economia, Paulo Guedes, poderá nos apresentar de agora em diante, poderíamos especular o que o Presidente da República poderá fazer de agora em diante sem as amarras que tinha dos militares, Sérgio Moro e o próprio Paulo Guedes, enfim, assunto não falta para se avaliar depois do que vimos até aqui. O Supremo, nesse momento, não tende a ser fundamental na arrumação do porvir, mesmo com a pauta que se prenuncia.

Das ações desses aí está o futuro dos brasileiros e brasileiras. Como um país desse tamanho com tantas vicissitudes regionais e sendo uma das 20 maiores economias do planeta poderia ficar tão dependente assim das vontades e quereres desses agentes públicos?
O Brasil por conta de sua realidade institucional com uma federação que não existe, um presidencialismo muito forte, uma economia dependente das ações e inações do governo federal, um patrimonialismo arraigado isso era habitual, infelizmente, porém quando passamos a ser uma das grandes economias do planeta toda essa mecânica passou a perder a importância. Pareceu, só pareceu!  Nenhum dos grandes país se encaminhou para uma série de mudanças tão fortes como as que vamos viver de agora em diante. Não podemos esquecer que dos grandes países somos um dos poucos que vive um marasmo econômico com 29 milhões de pessoas desempregadas ou desencantadas vindo de um abismo no PI de 7% negativo. Isso impressiona o mundo e nos deixa aqui ainda mais impressionados.

Será que nossos homens e mulheres públicas estão sabendo o que vão viver pela frente!? Muita gente não sabe, mas existem alguns arremedos de estadistas em formação. Não duvide, tem gente olhando para o horizonte. Seria importante que a nova dinâmica nacional nos permitisse ver esse tipo de gente brotando em vários de nossos seguimentos de poder. Duvido que isso esteja se estabelecendo.
O presidente Jair Bolsonaro tende a lucrar muito, num primeiro momento, dessa arrumação que virá além da reforma da Previdência, porém a insistência dele de atuar em Brasília sem uma base parlamentar, o que deverá se manter, não garante que ele consiga êxito em sua pauta ideológica e nem em boa parte da pauta econômica. É bom ressaltar que o êxito na economia tende a vir, mas a mesma mobilização que se viu e vê para as reformas constitucionais não tende a surgir para o resto.
Escola sem partido e privatizações, fiquem certos, não mobilizam o Congresso. Os políticos ganharam o direito de serem os donos do orçamento federal, face a nova regra de impositivo para emendas de bancada. Para tal, eles precisam ter uma orçamento para lidar. De nada adianta ter um butim vazio para distribuir. Nesse ponto eles estão unidos, fora isso não imaginem mais votações de 379 sufrágios favoráveis.
Os desafios que teremos pela frente são inimagináveis, até um dia desses. Aprovada a reforma da Previdência tudo mais seria possível imaginar? Nem tanto cara pálida.

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