sexta-feira, 23 de agosto de 2019.
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"você jamais será livre sem uma imprensa livre." - Venelouis Xavier Pereira

Não penso, logo não existo

Edmar Ximenes Geólogo

segunda-feira, 13 de maio 2019

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Será essa a lógica do Governo brasileiro ao declarar, via seu representante maior, a retirada de investimentos nas faculdades de Humanidades, mais diretamente de Sociologia e Filosofia?
A sociedade brasileira que pensa. Tem de se posicionar, de forma veemente em repúdio a essa declaração descabida e tresloucada do presidente da república e de seu ministro da Educação, desqualificando esses cursos e suas pesquisas dentro da área de Humanidades.
Tais declarações expõem, de forma transparente, a ignorância que permeia este governo sobre a importância dos estudos desenvolvidos nesta área e qual público ela atinge. Fica cada vez mais claro que somos governados por um homem sem nenhuma cultura além da bala e do preconceito. Não podemos aceitar passivamente que um homem que governa um país seja ignorante ao ponto de desconhecer a importância desses cursos para a universidade no campo da pesquisa acadêmica e para abertura dos caminhos que o País seguirá.

O ministro entende, com o apoio do presidente, que as faculdades de Sociologia e Filosofia são cursos voltados para as classes mais abastadas financeiramente, elitistas e, por isso, vai retirar investimento nelas para aplicar em Enfermagem, Veterinária, Engenharia e Medicina, alegando que o Japão está indo nessa direção. Absoluta falta de conhecimento.

De fato, em 2015, o Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia do Japão, por meio de seu ministro, envolvido em corrupção, encaminhou ao governo uma proposta similar, mas, de imediato, a população se manifestou contra e houve um recuo por parte do governo, o que torna o argumento do Governo brasileiro mais uma mentira levada como argumento para suas medidas esdrúxulas.
A universidade brasileira não pode ficar calada diante dessa atitude descabida, dado que os estudantes devem ter acesso ao conhecimento especializado na sua área de atuação profissional, onde todos os cursos são igualmente importantes e o que devemos é desenvolver uma cultura voltada para a diversidade social por meio de aprendizados e experiências variadas nos diversos campos da Ciência, quer seja ela exata ou humana.
Aparentemente o governo parece dar um passo atrás, mas deixa claro que vai descentralizar os investimentos na área de Humanas, mas, de que forma, isso não ficou bem claro, ficando no ar a possibilidade de o governo retirar o apoio a cursos da área de Humanidades.
Quando declara que a função da formação é ensinar a ler, escrever, fazer conta e aprender um ofício que crie renda, o governo ignora, de forma transparente, a importância dos conhecimentos na área de Humanas.

Com isso o governo mostra uma visão pobre e vazia sobre a formação profissional, ao imaginar que as profissões de sua predileção não tenham de aprender sobre sua própria inserção na sociedade nem sobre ética, por exemplo, para tomar decisões adequadas e moralmente justificadas em seu campo de atuação, até porque ética e moral, não são pontos fortes deste desgoverno.
Este governo joga na lata do lixo a autonomia das universidades, que é garantida pela Constituição, querendo definir o fim de cursos universitários de forma arbitrária.

Os cursos voltados para Ciências Humanas contribuem muito com a sociedade, apontando e desmontando as visões tacanhas da realidade que vivemos, despertando para reflexões que nos levem à pluralidade de futuro, necessárias ao desenvolvimento da cultura e da sociedade numa construção de nação justa e criativa.

Nossa sociedade tem de se impor neste momento, sendo escudo contra os ataques sistêmicos contra nossa universidade e, agora, principalmente contra os cursos de Humanas, levados pela vingança, pela ignorância dos que estão à frente do Estado brasileiro.
O que eles querem é isso, uma sociedade que não pense e que, por consequência, pare de existir.
Resistamos, não podemos permitir.

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