terça-feira, 18 de dezembro de 2018.
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O atraso presente

JORGE HENRIQUE CARTAXO JORNALISTA

quinta-feira, 06 de dezembro 2018

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Pelo menos o primeiro escalão do governo Bolsonaro está praticamente definido. Os ruídos e as idas e vindas acontecem. Nada exatamente impróprio ou fora do razoável. O perfil dos ministros, em sua maioria, sugere competência e idoneidade. O presidente eleito tem conseguido, também, cumprir uma promessa importante de campanha: barrar o toma-lá-dá-cá que tem caracterizados os últimos governos.

A ida do deputado Eduardo Bolsonaro aos Estados Unidos para se reunir com assessores estratégicos da Casa Branca, onde se deixou fotografar com um boné da campanha de Donald Trump, não foi exatamente adequado. Eduardo preparou toda a sua agenda em Washington, sem sequer comunicar a embaixada brasileira, muito menos solicitar o apoio e as devidas orientações protocolares próprias das relações diplomáticas e bilaterais. O futuro ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, também tem fugido aos padrões que fazem do Itamaraty uma Casa de excelência. Como o governo não começou de verdade, esses desencontros geram apreensões, mas, ao mesmo tempo, inspiram ajustes e correções desejáveis e necessárias.

Quanto ao ponto de inflexão da nova gestão, a nova relação com o Congresso e os congressistas, ainda temos que aguardar. Até agora os sinais são positivos. Diálogo com as frentes parlamentares e agora com os próprios partidos, mas nada de entregar cargos e funções com orçamentos polpudos, em troca de futuro apoio no Congresso. Mas não sabemos ainda como isso se dará no momento em que o Congresso começar a funcionar a partir de fevereiro de 2019.

Já se sabe da inquietude de alguns partidos com esse cenário. E, além do Congresso, temos banqueiros e empresários que querem manter seus bilionários privilégios. Funcionamos, basicamente, com apenas quatro bancos de verdade no País, sendo dois deles do Estado. E o nosso comércio internacional é ridiculamente fechado. Tudo para assegurar às empresas nacionais o controle de um mercado de bens e serviços de péssima qualidade e com preços aviltantes.

Bolsonaro e sua equipe econômica querem implodir esse sistema atrasado e injusto. Mas nada garante que terão sucesso. O cartório empresarial pode se aliar ao clientelismo político-partidário e deixar o governo acuado. Vivemos , pelo menos desde a constituinte de 1988/89, uma regressão institucional, econômica e social sem precedente. Bolsonaro foi eleito, também, para fazer frente a isso tudo. Terá força, determinação e coragem para tanto!?

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