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O caldeirão do beato Zé Lourenço

quinta-feira, 16 de março 2017

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O poeta e repentista Geraldo Amâncio, conhecedor profundo de nossa poesia popular, autor de diversos livros, como “A história de Antônio Conselheiro”, “Assim viveu e morreu Lampião, Rei do Cangaço”, “Cantigas que vêm da Terra”, “De Repente Cantoria”, dentre outros, estará lançando brevemente mais um opúsculo, intitulado “O BEATO ZÉ LOURENÇO, O CALDEIRÃO E A MATANÇA DOS ROMEIROS”.
Nessa obra, escrita em verso, o poeta lança um protesto, ao qual me associo, quando afirma: “É comum a escola ensinar sobre as guerras napoleônicas, as guerras de Alexandre, chamado “O GRANDE”, e dos imperadores romanos, mas não é comum a escola falar sobre: a Sedição de Juazeiro, a Guerra da Princesa Isabel na Paraíba em plena Revolução de 1930, a Guerra de Canudos e muito menos na chacina dos romeiros no Caldeirão do Beato Zé Lourenço, fato este acontecido no sul do estado do Ceará e que, infelizmente, a maioria da população cearense desconhece.” (comentário do poeta referido para o livro sobre comento).
E afirma mais o autor da obra citada: “Chacina, sim! Praticada por um Governo repressivo e perverso com apoio total de uma igreja autoritária e desumana, que praticou o inverso das lições que Cristo ensinou.” (comentário do autor para a obra).
O grito de Geraldo Amâncio em favor do Caldeirão faz coro à sua luta ingente em defesa da história e da cultura popular nordestina. Seu clamor tem sido até certo ponto ouvido por alguns segmentos; todavia, ainda não foi alcançado o desejo dos poetas cordelistas e escritores da poesia popular, ansiosos para que façam parte dos currículos escolares, principalmente na região nordestina.
A poesia popular é repleta de beleza e complexidade, com destaque para sua temática e rima, devendo ser valorizada, sobretudo pelos nordestinos, os artistas que a vem cultivando, como Geraldo Amâncio, Patativa do Assaré, Luiz Gonzaga, Zé da Luz, Cego Aderaldo, Chico Pedrosa, dentre outros, expressões máximas da cultura popular nordestina.
Razão assiste a Geraldo Amâncio. A história do Caldeirão, assim como o repente e o cordel, não podem sucumbir.
Isto posto, é bom evidenciar que em tudo há o sentir das tradições que nos remetem ao passado e que devem impor o reconhecimento de todos, retratando o valor do nordeste.

José G. Monteiro
Advogado

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