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O crespúsculo da Deusa da Justiça

segunda-feira, 19 de junho 2017

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Têmis é a deusa da Justiça, seu símbolo é a balança, pois em todo julgamento, a razão e a paixão devem estar em justo equilíbrio.
Têmis, a deusa descrita na mitologia grega, tem seus olhos vendados, representando assim a imparcialidade que deve possuir em seus julgamentos.
Têmis personificava a lei, a ordem e o direito, postulados que deveriam reger o mundo, de modo a se evitar o caos, imprescindível a uma vida mais harmônica em sociedade e também entre os próprios deuses.

Têmis era bela, digna, altiva, justa, majestosa, sábia, e por isso mesmo tão poderosa.
Têmis tem sua imagem vinculada ao Poder Judiciário, havendo imensas estátuas dessa divindade olimpiana erigidas à frente dos mais diversos tribunais do país, em especial, no STF, onde existe uma bela dama sentada com uma espada nas mãos.

No TSE, a mais alta corte eleitoral do Poder Judiciário, após o julgamento histórico em que se decidia se a chapa presidencial vencedora das eleições de 2014 seria cassada ou não por cometimento de crimes eleitorais, Têmis não se conformou quando aqueles julgadores – a maioria – arrancaram a balança de suas mãos e retiraram a venda de seus olhos.

Com os olhos vidrados no julgamento do TSE, Têmis assistiu incrédula os argumentos utilizados para defender o indefensável, para disfarçar o que não pode ser escondido, para desmerecer um conjunto de provas de cristalina robustez e clareza, findando com uma absolvição por excesso de provas.
Indignada, Têmis resolveu subir ao Olimpo e reclamar a Zeus, o pai dos deuses e dos mortais, sobre a iniquidade daqueles homens que invocavam sua imagem constantemente, dela fazendo uso de forma leviana.

Era inadmissível à deusa da Justiça que homens tão bem apessoados, envergando togas pretas, sentados em cadeiras vermelhas num majestoso salão carmim, pudessem agir de forma tão baixa e tão deselegante, defendendo pontos de vistas escusos e duvidosos, tendenciosos e escancaradamente parciais, trocando insultos e difamando outras instituições, desconsiderando provas cabais, negando o óbvio.

Têmis teve sua preciosa balança desequilibrada em favor do crime e da corrupção, em favor da falta de ética, da moral e do cinismo, em favor dos relacionamentos escusos e dos jogos do poder.

Têmis teve sua venda rasgada para mostrar um absolutamente julgamento parcial e um show de indecências em que o mal venceu o bem.
E assim ocorreu o crepúsculo da deusa.

Grecianny Cordeiro
P. De Justiça

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