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O fim da República

sexta-feira, 21 de abril 2017

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Anoção primordial de República, tanto no seu sentido literal, advindo da expressão latina “res publica” (coisa pública), como nos seus princípios fundamentais, bem indica que pertence ao povo toda a estrutura e o patrimônio nacional, os quais devem funcionar em seu benefício. Todavia, nesses últimos tempos, tem-se vislumbrado a ocupação dos altos escalões da coisa pública por políticos suspeitos de dela se utilizarem em causa própria.
Executivo e Legislativo não mais detêm nenhuma credibilidade, em virtude do envolvimento de muitos dos seus membros em toda sorte de falcatruas. Transformaram a Nação em fonte de desconfiança, aguçaram a corrupção que, hoje, atinge todos os segmentos e tornaram o país em autêntico frangalhos. É o fim da república, ou, como insinuou a revista Veja: é a “República da Odebrechet”.
O Judiciário, a seu turno, caminha pela mesma inversão de valores. Como bem enfatizado pelo colunista Cláudio Humberto no último dia 18 de abril, enquanto um juíz federal americano condenava a Odebrecht a devolver R$ 7,4 bilhões ao Brasil, o nosso Supreno Tribunal Federal discutia se o título brasileiro de l987 deveria ficar com o Sport de Recife e não com o Flamengo, do Rio. (Poder, pg 13, jornal O Estado, 18.03.2017).
Não bastasse tanto descalabro, subsistem as infindáveis guerras de ego, como o recente entrevero entre o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, e o procurador-Geral da República Rodrigo Janot. Ressalte-se que residia no Ministério Público e no Judiciário um fiozinho de confiança do povo, agora abalada com a troca de insulto entre ambos.
De modo que a situação do País é de imensa tristeza, onde tudo funciona muito mal.
Vai-se acabando tudo: os recursos do Tesouro, os empregos, a saúde, a educação. O cidadão tem que conviver com a insegurança, torcendo para não ser incinerado dentro de algum transporte coletivo.
A classe política rouba a República até não mais poder, e ainda se faz de inocente. Alguns chegam ao desplante de se compararem ao Cristo, em autêntica retórica demagógica. O mais grave é o vilipêndio, o massacre à dignidade do povo brasileiro.
Seria o caso de se suplicar a esses facínoras que deixassem o País em paz e fizessem pelo menos um gesto de grandeza, renunciando aos cargos e mandatos, para que pudéssemos reconstruir uma nova REPÚBLICA. Somente assim se poderia sonhar com um novo Brasil.

José G. Monteiro
Advogado

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