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O Nordeste e a questão da universidade pública

GENÉSIO ARAÚJO JÚNIOR JORNALISTA

terça-feira, 18 de dezembro 2018

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(Brasília-DF)
Nessa semana foi lembrado os 50 anos do Ato Institucional nº  5. Goste-se ou não os novos poderosos, que não são da escola golpista tenentista, mas do grupo do Haiti, do Brasil internacionalista – naquele 13 de dezembro de 1968 nossa intervenção militar virou, efetivamente, uma Ditadura Militar.

Um dos primeiros atos de força foi, aqui em Brasília, com a invasão da Campus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília.
Com a efetiva democratização, os governos da Nova República buscaram dar um status quase icônico às universidades federais brasileiras. Com isso, a Constituição Federal de 1988 criou, com seu artigo 217, a chamada autonomia universitária.
Vivíamos um porre de democracia e veio a instituição da eleição direta de reitor das universidades, que naqueles anos parecia a atitude natural.

No mundo inteiro, as principais universidades são mantidas por fundos públicos e privados e quem define seu comando, normalmente, são altos conselhos. Nas grandes universidades européias, como as inglesas, um grupo fechado de pós-doutores, alguns Nobels, definem os reitores. Alguns ficam por quase toda a vida. Nas universidades com forte participação publico-privada os conselhos é que definem os reitores.
Há uma convicção, reconhecida pela sociedade internacional, de que o sucesso e o fortalecimento da produção científica é o que garante o mandato dos reitores.

No Brasil, a eleição dos reitores inclui corpo docente, discente e até funcionários.  Existem dúvidas, antes da chegada dos novos poderosos, sobre esse modelo de escolha. Reitores eleitos por uma burocracia autofágica em detrimento da formação acadêmica existem aos montes nas universidades brasileiras.
As universidades cresceram de tamanho nos últimos anos.

No final de 2010, último ano do Governo Lula, o Ministério da Educação anunciava que contando a partir dos anos de 2005, a expansão da rede federal de educação profissional fez criar 214 novas escolas.    Foram criados 126 novos campi e unidades universitárias, passando dos 148 existentes até 2002 para 274 já em funcionamento em 2010. Naquele ano, o Ministério da Educação afirmava que as universidades federais estavam presentes em 230 municípios nas 26 unidades federativas e no Distrito Federal.
Alguma coisa também foi feita nos anos de Dilma Rousseff, pouco antes do impeachment foram anunciadas a criação  das Universidades Federal de Catalão, em Catalão, Goiás; Universidade Federal de Jataí, em Jataí, também em Goiás; Universidade Federal do Delta do Parnaíba, em Parnaíba, Piauí; Universidade Federal do Norte de Tocantins, em Araguaína; Tocantins; Universidade Federal de Rondonópolis, em Rondonópolis, Mato Grosso.
A maioria dos campis criados tem uma forte composição de disciplinas de ciências humanas, apesar de uma instituição universitária exigir ampla composição da formação científica.

Essas universidades são naturalmente gratas a decisão dos governos petistas, que sempre tiveram um forte apoio de boa parte da comunidade universitária. Os governos sociais democratas, não só no Brasil, mas em toda América Latina, tiveram uma vocação universalista nem sempre cosmopolita, muitas vezes nacionalista, que tinham apoio nas universidades.
O Brasil precisa enfrentar a necessidade de ampliar o financiamento das universidades públicas assim como revisitar o modelo de comando dessas instituições. O grande diálogo será manter o ensino público, universal e gratuito, ao mesmo tempo que precisamos dar uma chacoalhada geral para aliviar esse nosso grande gargalo.

No Nordeste, talvez a fuga de cérebros seja a nossa maior justificativa para essas mudanças. Um grande desafio!

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