quarta-feira, 20 de junho de 2018.
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O preço de uma vida

GEORGE MAZZA FUNCIONÁRIO PÚBLICO E MESTRE EM DIREITO

sexta-feira, 09 de março 2018

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De tempos em tempos, as acaloradas discussões sobre a questão do aborto ressurgem na sociedade. Neste ambiente é comum que o debate público não ultrapasse o limiar da superficialidade. Pensar o tema aborto, em toda a sua complexidade, deve ir além de imaginar o real cenário da gestante insegura em levar adiante a gravidez e a clínica aparelhada por profissionais realizando o traumático procedimento, que ao fim, “resolve” definitivamente a “adversidade” decorrente da gravidez. Entender o problema envolvido ultrapassa essa perspectiva, pois o que observamos é que no campo de batalha das ideias situam-se, de um lado, aqueles que defendem a vida humana desde a concepção, e do outro lado, os que consideram o nascituro um ser humano indigno de viver. Em outra dimensão, a procura pela resposta sobre qual vida deve prevalecer: a da gestante ou a do bebê em gestação? Precisamos, porém, aprofundar a discussão, a fim de descortinar a dura e indelével realidade enfrentada por mulheres que passam por esta prática. Abortar é sempre uma aposta arriscada, em que a saúde física e psicológica da gestante, e a vida do bebê em gestação, são menosprezadas na mesa de cirurgia, seja de clínicas “de primeiro mundo” ou dos subúrbios da clandestinidade.

A realidade nos aponta que, mesmo legalizado, o aborto continuará a matar indefesas mulheres. Além disso, as clínicas clandestinas não deixarão de existir, pois muitas mulheres não desejarão ter seus nomes averbados nos registros oficiais, passíveis de busca e conhecimento público, preferindo a obscuridade e o risco da morte prematura em clínicas ilegais. Não há aborto seguro! Nos EUA, onde o aborto é legalizado, mulheres morrem todos os anos por esta prática, mesmo em clínicas extremamente aparelhadas, com médicos bem treinados e com todo o suporte operacional para a realização do aborto. Como exemplo, na maior rede abortista daquele país, a Planned Parenthood, centenas de mulheres morrem anualmente em decorrência de abortos, sempre inseguros e traumáticos.

Salvando-se de um dano irreparável (a morte) a mulher ainda arcará com as graves consequências do aborto, dentre elas: depressão; tendência ao uso de álcool e drogas; propensão ao suicídio; infecções; hemorragias; perfuração uterina. O aborto nunca deve ser a solução para uma gravidez inesperada, pois sempre impede o usufruto da vida, bem mais precioso dado a todo ser humano. Quem defende o contrário deveria ser capaz de responder: qual o preço de uma vida?

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