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O Templo dos Ressentidos

JORGE HENRIQUE CARTAXO JORNALISTA

quinta-feira, 11 de Janeiro 2018

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Tem sido cinza a cor dos nossos dias. Quem viveu as emoções do final da década de 70 até a vitória de Tancredo Neves em 1984, dando o primeiro grande passo para o restabelecimento da democracia no Brasil, olha com muita perplexidade os dias que se seguem.

As expectativas e sonhos, que homens como Tancredo, Brizola, Arraes, Ulysses, Marco Maciel, Franco Montoro, Mario Covas, Pedro Simon, Brossard, dentre outros, sugeriam e inspiravam, estão muito distantes do Brasil que vem sendo (des)construído desde então. Possivelmente alguns desses homens nem fossem tão nobres assim. Mas, no mínimo, pareciam carregar uma digna ilusão. Acreditávamos que a reconquista das liberdades públicas e sua consequente reorganização política daria à sociedade brasileira um novo e amplo sentido de cidadania. Não foi isso o que aconteceu!
Passado o delírio catártico que foi a Constituinte de 1988/89, uma monstruosidade se desenhou no horizonte e ainda lá permanece.

Ampla, assombrosa, renitente e destrutiva. Ao tomar posse em 1990, Fernando Collor inaugura, com ousadia, a era da tormenta. E não estava só! Mesmo arrancado do poder dois anos depois, deixou nas entranhas da República maldita o mau que representava. Itamar tentou dribla-lo. Fernando Henrique, com sua ginga carioca, malandrou o mau. Com Lula foi diferente. De origem sinistra, história espúria, passado inglório, ele adentrou os palácios e expulsou todas as virtudes do templo. Síntese do horror shakespeariano, encobriu a Nação com o seu manto da tragédia.

Sem peias, lançou o País no mar revolto da decadência moral. Cortou no talo o que havia de virtude vicejante na reconquistada democracia tupiniquim, e lamentavelmente macunaímica. Como o louco de uma tragédia grega, nos gestos dignos do rigor de um palco, nos arrastou a todos para a dor, o sofrimento, a dessacralização, o medo, a morte e o ódio.

Incensado por uma malta de medíocres, ressentidos, incultos, quis fazer da Nação seu oratório da ignorância e da improbidade. Impedido de se perpetuar no poder, impôs à Nação um soba tartamudo de saias. Também arrancada do poder, Dilma, como Dona Maria I, a louca, deixa os palácios empesteados com a desonra. Escandalosamente incapaz, seu sucessor, Michel Temer, como um barrão-chefe de pocilga, trouxe para os palácios uma tropa de candidatos aos presídios. Desassombrados delinquentes!
Malditas horas. Malditos dias. Malditos homens do nosso tempo. Basta!

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