sexta-feira, 20 de setembro de 2019.
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O VAR e a falibilidade humana

Edmar Ximenes Geólogo

quarta-feira, 21 de agosto 2019

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Nenhuma pessoa com o mínimo de bom senso se colocaria contrário à introdução do VAR (Árbitro de Vídeo) no futebol, isso não quer dizer que sua implantação não mereça críticas.
O objetivo do VAR é ampliar o nível de esclarecimento em lances de difícil visualização por parte do árbitro de campo, que é sujeito a erros claros por usar apenas seus sentidos limitados e o de seus auxiliares.
O VAR, que chegou ao Brasil em 2017, é usado em situações de jogo, como gols, pênaltis, cartão vermelho direto e erro de identificação de jogadores na aplicação de cartões.
O objetivo do VAR seria reduzir a margem de erro das arbitragens, que tantas vezes trouxeram prejuízos incríveis a clubes de futebol em momentos cruciais dentro de campeonatos, mas pelas críticas que vem recebendo de comentaristas e narradores esportivos, dirigentes e torcedores, percebemos que até o momento não vem convencendo.
O VAR por si só não funciona e aí é que entra o ponto de risco da ação humana, que se bem ou mal intencionado, pode desvirtuar totalmente o que a telinha mostra, até mesmo se abster de olhar na borda do campo.
Entendemos que a entrada do VAR é um grande avanço, mas ainda precisamos dar alguns passos para que essa realidade se torne concreta.
O primeiro passo seria dar mais transparência aos áudios que são feitos durante a partida, principalmente nos pontos polêmicos, quando os operadores do VAR conversam com o árbitro da partida.
O segundo passo seria dar uma maior agilidade na decisão. Se houve a dúvida, por que a demora em correr logo à borda do campo e observar o lance? Às vezes passam mais de 3 a 5 minutos, tirando a emoção do jogo, quebrando a concentração dos atletas e da própria torcida.
Alguns analistas do futebol consideravam que erros históricos deixariam de acontecer, mas não é o que estamos vendo na prática, como podemos constatar o que vem acontecendo, mais precisamente com nossos clubes. Tanto Fortaleza quanto Ceará perderam por erro do analista do VAR pelos menos de 4 a 5 pontos cada um. E para não me alongar muito vou citar os fatos da última rodada.
No jogo Fortaleza x Internacional, um ataque do Inter se desenrolava pela direita e o atacante Parede do time colorado empurrou nitidamente o atleta do Leão nas costas com o braço, desequilibrando-o. O juiz de campo manda o jogo seguir e na sequência sai o gol colorado. No mínimo os analistas do VAR deveriam ter chamado o juiz para avaliar o lance na tela da TV, mas deixou como estava beneficiando o time gaúcho que saiu com a vitória pelo placar mínimo.
Em São Paulo, num jogo bastante equilibrado o São Paulo em festa ganhava do Ceará pelo placar de 1 x 0, quando um atacante do time alvinegro foi lançado na direção do gol. O goleiro de forma imprudente, embora não caracterizasse maldade no lance, se jogou em cima do avante do Ceará impedindo-o de alcançar a bola e marcar o gol…pênalti indiscutível e mais uma vez o VAR não convocou o juiz de campo a analisar o lance na tela da TV. Nos dois casos vai por água abaixo o argumento de que o VAR torna as decisões mais justas e transparentes, entrando em campo a falibilidade humana que por má fé ou fruto de suas limitações humanas, mantendo a injustiça do resultado soberana em campo.
Estes dois casos entre muitos neste brasileirão, estão expondo as fraquezas de alguns árbitros…não julgo se por incompetência ou desvio de conduta, mas como explicar isso a milhares de torcedores que saem do estádio voltando pra casa se sentido totalmente garfados…roubados?
Não perco jogo do meu Leão e vejo que o VAR não tem poupado em nada as bondosas e amáveis mães dos juízes, porque os erros, agora mais severos e grandiosos, continuam.
Não estou preso ao passado, mas o futuro que esperamos como torcedores, ainda se mostra longe.

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