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O viés positivo dos escândalos

sexta-feira, 19 de maio 2017

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Quem acompanha os noticiários e atende com assiduidade aos chamados da mídia – a de expressão pública ou das redes sociais – certamente está assustado com o que ouve e vê todos os dias, talvez até perdendo as últimas esperanças de que voltaremos à planície serena do equilíbrio econômico e político do País.

Há um clima indubitável de medo e susto, a cada informação sobre as malfeitorias praticadas por políticos e empresários, na maioria confessadas pelos próprios agentes da delinquência, premidos pela necessidade de atenuar as possíveis condenações através do instituto da delação premiada.
Aos que já se alistaram nas fileiras cinzentas do ceticismo queremos lembrar as lições da História, nas quais, no seu decorrer, se sucedem os ciclos da ordem e da desordem humana. As noites, como mostram a natureza e os rastros do tempo, são sucedidas pelas claridades, não havendo a permanência infinita e absoluta nem da escuridão nem dos erros.

O que não se pode negar é o fator positivo desses lastimáveis episódios, pois revelaram práticas e costumes nebulosos que, desde antigamente, estavam incrustados no exercício dos negócios públicos e apontaram alguns criminosos até então intocáveis, por serem ricos e poderosos, obrigando-os a descer para a coxia da execração pública, mostrados à sociedade de cabeça baixa e mãos para trás, como qualquer marginal do subúrbio.
O volume de denúncias e de pessoas envolvidas é de tal monta que não podemos mensurar quanto tempo há de durar toda a tramitação até o desaguadouro das condenações. Mas cremos, sim, que elas acontecerão e hão de ficar como exemplo e alerta para todos os que atuam na cena pública ou empreendem com o poder.

A recuperação da confiança na classe política deve ser prevalente, pois desse “batismo de fogo” restarão os que, de fato, merecem a credibilidade popular e respeitam a delegação das urnas.
A atividade pública deveria, sempre, ser exercida por quem tem vocação social. O mandato não é emprego, mas missão.
No exercício do mandato deveria predominar a defesa dos sentimentos e das razões comunitárias e quem não tem capacidade de assumi-los dessa forma, deveria recuar para os muros de seus interesses particulares e deles ficar cuidando.
Usar o mandato e a delegação popular como instrumento de enriquecimento ou para cair na esbórnia e no desvario hedonista é crime de alta traição e insensatez absurda.

Podemos afirmar que o que estamos assistindo no atual momento político brasileiro é um processo de profilaxia cívica: a atividade pública nacional está passando por uma limpeza rigorosa para extirpar vírus, bacilos e bactérias de seu organismo fragilizado, mas resistente. Sobreviveremos a mais esta provação.

O que se espera é que a cultura da corrupção, tão entranhada nas atividades públicas e privadas, esteja, de fato, sofrendo um duro golpe. E que todos esses escândalos, publicamente revelados, levem os gestores e os empresários e, também, o universo dos que escolhem executivos e legisladores, a ser mais sérios e criteriosos em suas atitudes.

Audic Mota
Deputado Estadual

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