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Oncologia x fertilidade

sexta-feira, 25 de Março 2016

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A preservação da fertilidade de pacientes com câncer tem alcançado destaque na Medicina Reprodutiva atual. Para as mulheres, os riscos de infertilidade dependem de vários fatores, como o tipo de câncer, a idade, o tipo de terapia (cirurgia, quimio ou radioterapia), e medicação utilizada. Em geral, a quimioterapia em altas doses e a radioterapia de corpo inteiro ou pélvica têm grande possibilidade de causar destruição dos folículos primordiais do ovário, levando à falência ovariana prematura e infertilidade irreversível. Dessa forma, os recursos utilizados para a preservação da fertilidade, além dos fatores já citados, vão depender da presença ou não de união estável com parceiro e do desejo futuro de ter filhos.

Quando o tratamento da doença é através de radioterapia com incidência pélvica, a transposição dos ovários (reposicionamento cirúrgico dos ovários fora do campo de radiação) é a saída mais indicada, com taxas de sucesso em torno de 50%. Em mulheres em idade fértil com união estável, o tratamento com melhores resultados é a indução da ovulação com coleta de vários óvulos maduros, antes da primeira sessão de quimo e/ou radioterapia. Estes óvulos podem ser injetados com os espermatozoides do parceiro e os embriões produzidos serão criopreservados para serem transferidos ao útero da mulher depois de concluído o tratamento. Se não houver parceiro ou união estável, os óvulos são criopreservados para utilização futura.

A criopreservação ovocitária, que até pouco tempo tinha resultados ruins pela dificuldade prática de congelamento dos óvulos, têm evoluído consideravelmente e está sendo muito estudada e realizada em todo o mundo. Se a mulher já está em idade reprodutiva, coletamos os óvulos maduros e fazemos a criopreservação. Se a mulher está na infância e/ou antes do início da menacme (1a menstruação), antes do tratamento do câncer, realiza-se a retirada de um ovário da mulher. Este ovário é fatiado e criopreservado.

Quando a paciente quiser engravidar, descongelam-se algumas destas fatias que serão transplantadas para o corpo da paciente. Espera-se que o ovário fatiado readquira sua funcionalidade, produzindo hormônios sexuais e liberando óvulos maduros. A primeira gravidez com esse tratamento foi registrada em 2004. Levando em conta os avanços rápidos obtidos nas técnicas de criopreservação e de transplante ovariano, esta opção se desenha como o futuro padrão-ouro na preservação de fertilidade em mulheres com câncer. Importante ainda frisar, para tranquilidade dos futuros papais e mamães que as evidências científicas atuais não mostram aumento de risco para recorrência do câncer devido aos tratamentos para preservação de fertilidade ou devido à gravidez futura.

Fábio Engenio Rodrigues
Médico

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