terça-feira, 18 de dezembro de 2018.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

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Ônibus sem cobrador

Edmar Ximenes Geólogo

quarta-feira, 05 de dezembro 2018

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Não podemos certamente nos opor aos avanços tecnológicos que nos chegam a cada amanhecer, entendemos que eles invadem nossos espaços com objetivo de nos dar uma melhor qualidade de vida e nos proporcionar alguns serviços por um preço mais acessível e até resolver problemas que nós não tínhamos.
Não podemos contestar que os meios eletrônicos facilitam em muitos aspectos nossa vida, mas não podemos esquecer o viés de gerar desemprego e isso exige um cuidado maior na fase de transição. Em nosso estado gerará desemprego para mais de 4.500 trocadores. Como tratar esse impacto em nossa economia?

Em Fortaleza nos chega a novidade, embora em um período ainda experimental, o formato do pagamento eletrônico de passagens de ônibus urbano, ou seja, o ônibus sem cobrador, um sistema que certamente traz um pouco de segurança ao trabalhador, que estando sem a posse do dinheiro, minimiza a possibilidade de assalto recorrentes dentro dos ônibus.

O que não podemos aceitar é que, de imediato, os ônibus passem a circular com a opção única da passagem eletrônica, trazendo transtorno e prejuízo aos trabalhadores e por consequência aos próprios empregadores.
Na minha casa tenho uma senhora que há muitos anos trabalha conosco. Semana passada, ela chegou bem mais tarde no trabalho, porque o ônibus do horário tradicional, que ela pegaria, veio com essa novidade e ela não pode embarcar, porque não tinha conhecimento da novidade e portava apenas o dinheiro da passagem.

Essa é uma realidade que vai chegar, mas ainda não está concretizada. E para não trazer prejuízo aos trabalhadores e aos empregadores, deveria ter antes um tempo de divulgação e esclarecimento para a população de forma geral. Infelizmente, em nosso País é visto primeiro o interesse do empresário, do empregador. As medidas são impostas e, em seguida, o trabalhador que trate de se adaptar, ou como diz nosso novo presidente eleito: ou se adapta ou se extingue.

Diante dessa situação colocada por nossa colaboradora em casa, me dirigi ao SINDIÔNIBUS para ver como resolver essa situação e me deparei com uma burocracia sem tamanho. Fui informado que eu teria que ir ao Ministério do Trabalho solicitar um documento chamado de CEI, uma espécie de cadastro de empregador pessoa física, que irá substituir o CNPJ, no caso de empresa (informação do SINDIÔNIBUS). Adquirindo esse documento e juntando uma lista infinda de outros documentos, com alguns carimbos, assinaturas de testemunhas etc…etc…etc…vou ao SINDIÔNIBUS e daí dou entrada nessa papelada toda para, no fim de tudo, receber o cartão eletrônico que viabilizará o transporte da minha colaboradora.

Me ponho agora a pensar no caso dos trabalhadores ou cidadãos que não tem emprego, como eles terão acesso a esse cartão e mesmo os empregados por empregadores pessoa física, quantos terão disponibilidade de ter toda essa trabalheira para conseguir o tal cartão para seu funcionário?
Precisamos rever essa forma de tratar esses assuntos que envolvem pessoas de menor instrução e difícil acesso à informação, olhando apenas para o lado mais polido da moeda.

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