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Os amigos das FARC

quinta-feira, 10 de julho 2008

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À evidência de que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – as FARC – são terroristas (a ONU define assim os que utilizam a violência contra civis para fins políticos e militares), e diante da constatação irrefutável que as mesmas são parceiras de grupos de esquerda na América Latina, muitos analistas, articulistas, cronistas e intelectuais, com o objetivo de preservar o mito de sua ideologia, procuram agora disfarçar essas verdades apelando para argumentos principais:
1 – As FARC eram um grupo revolucionário de inspiração marxista que lutava contra o governo colombiano por não aceitar a ingerência do imperialismo dos EUA, além da batalha contra o capitalismo. Nessa condição, os rebeldes contavam com a simpatia dos principais líderes da esquerda no continente, a começar por Fidel Castro. A prova dessa ligação está nas atas do Foro de São Paulo, entidade que reúne partidos e organizações irmanados por esse ideal. Particularmente revelador é o documento que registra seu 10o encontro em Cuba (2001), no seu item quinto: “O Foro de SP resolve apoiar e encorajar os processos de diálogos desenvolvidos pelas FARC – Exército do Povo”;
2 – Que impelidas pelas vicissitudes da guerra, as FARC cederam a tentação de buscar financiamento atuando no narcotráfico, desviando-se assim de seu ideal primário e angelical. Mas ao descobrirem, somente agora, que as FARC seqüestram, torturam e matam civis, é que os membros do Foro de SP, entre os quais PT e PCdoB, passaram a espalhar que a narcoguerrilha não pode mais participar, oficialmente, de seus encontros.
A intenção desses formadores de opinião é separar a ação puramente criminosa da atividade ideológica, na esperança de preservar a áurea de pureza que envolve seu discurso. A mensagem a ser passada é a seguinte: as FARC eram de esquerda até que resolveram transgredir as leis e os conceitos de honra e decência. Trata-se de uma falsidade conceitual, pois essas premissas – ideologia e crime – não são, de maneira alguma, auto-excludentes. Aliás, tanto à direita quanto à esquerda, barbaridades foram cometidas em nome de causas. No entanto, nenhuma outra doutrina política na história da humanidade soube se valer tanto do banditismo e da violência quanto o comunismo.
Não é preciso ir longe para verificar que essa nova postura em relação às FARC não passa de um recuo tático para gerenciar danos de imagem. O recente episódio do resgate da ex-senadora Ingrid Betancourt mereceu do Itamaraty apenas uma nota de solidariedade aos reféns libertados. Nenhuma palavra de congratulação ao governo colombiano foi dita. Nenhuma crítica aos seqüestradores foi feita. No mundo da diplomacia o silêncio pode ser mais eloqüente do que as palavras. No dia 22 de abril passado, o senador Inácio Arruda (PCdoB) afirmou, em discurso no Senado Federal, que as FARC lutam contra injustiças, e acusou o governo colombiano, esse mesmo que libertou Ingrid Betancourt, de fazer “terrorismo de Estado”. E arrematou dizendo que fazer prisioneiros é algo inerente aos conflitos armados. Não disse que ideologia e crime não são auto-excludentes?
 

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