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Os avanços tecnológicos no futebol

JOSÉ MARIA PHILOMENO ECONOMISTA

quarta-feira, 12 de junho 2019

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Oesporte mais popular e praticado no mundo, o futebol, tem como um dos trunfos para a longevidade desta supremacia a perpetuação, ao longo deste século e meio de existência, da simplicidade das regras do jogo.
As 17 regras homologadas em 1907 pela FIFA e vigentes até hoje são, em sua quase integralidade, as mesmas estabelecidas em 1863 pelos representantes de onze escolas na Old Freemason’s Tavern na capital inglesa de Londres. Leis que tinham como objetivo desenvolver uma nova modalidade a ser praticada só com os pés para fazer frente ao dominante Rugby, criando-se, assim, o ‘Football Association’.
A facilidade e imutabilidade das regras sempre teve como objetivo fazer com que o jogo se popularizasse. Que não se criassem obstáculos para sua prática, bastando uma bola e duas traves.
A vedação ao auxílio à arbitragem e aos atletas durante as partidas de quaisquer dispositivos tecnológicos, seja de comunicação ou captação de imagens, sempre foi uma questão inflexível pelos dirigentes máximos da FIFA.
O princípio adotado é que o jogo para se popularizar e universalizar tem de ser disputado da mesma forma em qualquer situação. Seja na final da Copa do Mundo, seja numa partida num campo de várzea.
As decisões de arbitragem devem ser exclusivas do árbitro e em caráter definitivo, ou seja, irrecorríveis. Eventuais erros, por mais graves que sejam, devem ser encarados e tolerados como de natureza subjetiva de falha humana, as quais fazem parte o espírito desportivo.
Contudo, o crescente aperfeiçoamento nas transmissões de televisão, utilizando-se cada vez mais sofisticadas câmeras e avançados recursos tecnológicos, captando assim falhas grotescas de marcações, levou a uma pressão progressiva para a adoção, também no futebol, de recursos tecnológicos para auxílio à arbitragem, como ocorre em demais modalidades como tênis, voleibol e outros.
Finalmente, após décadas de resiliência, a entidade máxima do futebol introduziu, a partir de experiência na Copa do Mundo de 2018, a utilização do que se denomina de VAR (Video Assistant Referee), ou seja, de um sistema de vídeo-arbitragem comandada por uma equipe de árbitros externos, que orientam o árbitro principal de campo sobre supostas ocorrências duvidosas no decorrer da partida.
O VAR, já utilizado nas principais competições nacionais, tem proporcionado significativas mudanças em diversos aspectos da partida. As chamadas simulações foram reduzidas, o tempo de bola em jogo ampliado, as infrações diminuíram substancialmente – tanto que caíram o número de faltas e consequentemente de aplicações de cartões-, e, principalmente, os erros de arbitragem que culminam na marcação ou não de gols diminuíram significativamente, contribuindo assim para a efetivação do princípio da justiça em campo.
Não se podia mais conceber que partidas fossem decididas pela mácula de ilegitimidades. O VAR só vai melhorar o espetáculo e torna-lo mais justo.

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