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Os Babaquaras

BARROS ALVES JORNALISTA, POETA E ASSESSOR PARLAMENTAR

quinta-feira, 08 de fevereiro 2018

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Primeiro devo lembrar ao leitor que o epíteto “Babaquara” popularizou-se entre o populacho, no Ceará, no final do século XIX e início do século XX, como o pejorativo apelido do oligarca Antônio Pinto Nogueira Acioly, o qual, aliás, foi dormir senador do Império e acordou chefe político republicano. Dominou o Estado por mais de 30 anos. O poeta Antônio Sales, que exerceu mandato de deputado estadual, adversário figadal do oligarca, escreveu em 1911 uma catilinária sob pseudônimo de MS (Martim Soares), cujo título é exatamente O BABAQUARA. Recentemente, os senhores Ciro Gomes e Tasso Jereissati, respectivamente criatura e criador políticos, andaram às turras, acoimando-se mutuamente de oligarcas. Para além da conceituação que a Ciência Política dá para o vocábulo oligarquia, numa certa medida, ambos são, de fato, merecedores da “acusação”.

Não se olvide os avanços que eles implementaram na cultura política do Ceará. Poucos, porém, para as possibilidades que o povo cearense lhes deu. Todavia, governaram como oligarcas. Ao tempo do “Governo das Mudanças”, liderado por Jereissati, mestre dos Ferreiras Gomes, o governo mudou. Mudou do comando dos coronéis para uma plutocracia, em que assomavam os capitães da indústria e uns poucos ideólogos neoliberais, cujo livro de cabeceira era o “best seller” REINVENTANDO O GOVERNO, de autoria de David Osborne e Ted Gaebler. O governo Jereissati, apesar de ter sido um marco mudancista na administração pública, adensando-lhe o planejamento e a parcimônia, não perdeu o viés patrimonialista. Os barões da Indústria, ainda hoje, agradecem e sonham com o retorno do “Galeguim dos Óio Azu” ao comando do Estado.

Tasso ficou no imaginário do povo com três faces: o bom gestor, o perseguidor de servidor público e o coronel cibernético. Tasso legou seu “sistema oligárquico” ao jovem Ciro Gomes, pupilo querido de fidelidade canina. Demagogo de palavra fácil, palrador inveterado, restringiu as benesses do governo a um grupo familiar e pessoas próximas. Instalou, no governo do Ceará, a “República de Sobral”. Alcançou projeção nacional pela lábia e, às vezes, pela retórica de botequim, tão do gosto das massas ignaras. No Brasil monárquico, não passaria de um conselheiro municipal; No Brasil republicano, quer ser presidente da República. Agora, em posições opostas, na luta pelo poder, um intenta fazer sombra ao outro. Os egos se alteiam e o Estado fica pequeno para esses dois babaquaras modernos.

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